Juros voltam a subir nos EUA e superam 6%
Nova York, 23 (AE-AP) - As declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) Alan Greenspan na quinta-feira perante o Congresso dos Estados Unidos continuaram repercutindo nesta sexta-feira (23) no mercado de juros norte-americano.
Hoje, a remuneração dos títulos referenciais de 30 anos do Tesouro norte-americano superou 6% ao ano pela primeira vem em três semanas. Os T-bonds fecharam a semana oferecendo ao investidor 6,01% ao ano. Na sexta-feira passada, os juros desses papéis eram de 5,89% ao ano.
A queda do dólar nos três últimos dias e grandes captações de recursos por parte de empresas privadas drenaram uma substancial quantidade de dinheiro do mercado e forçaram a alta das taxas.
Segundo analistas, esse movimento deverá durar mais algum tempo. Um profissional do mercado norte-americano disse hoje que "muitas empresas que precisam captar recursos vão fazer isso agora, antes que o Fed eleve os juros de novo". A previsão dos analistas é de pelo menos duas novas elevações dos juros norte-americanos ainda este ano.
Greenspan disse em seu depoimento no Congresso que a economia dos EUA pode estar crescendo depressa demais e que o Fed "pode ter de agir rápida e firmemente" se notar qualquer sinal de aceleração da inflação.
A avaliação dos profisionais do mercado foi que a tolerância do Fed com os sinais de aquecimento econômico deve ter acabado e agora há uma crescente convicção no mercado de que o Fed deverá elevar os juros em sua reunião no dia 24 de agosto. Pelo menos um profissional do mercado norte-americano espera que a remuneração dos T-Bonds de 30 anos avance para 6,2% em breve.
Na próxima semana, os profissionais do mercado vão esquadrinhar minuciosamente os indicadores, à procura de sinais de crescimento econômico, aumento da demanda e aquecimento do mercado de trabalho, pois são esses os números que o Fed leva em conta para tomar suas decisões de política monetária. A expectativa do mercado é de muita tensão até o fim de agosto.





