Brasília, 10 (AE) - O compulsório, exigido pelo Banco Central sobre os depósitos à vista, mais o direcionamento obrigatório dos recursos captados em caderneta de poupança para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH), não permitem a queda da taxa de juros para o consumidor, afirmou hoje o diretor indicado para o Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). "É impossível aplicar no Sistema Financeiro da Habitação", disse Freitas.
Segundo o economista, que foi aprovado por unanimidade para assumir o cargo de diretor para Assuntos de Reestruturação do Sistema Financeiro Estadual, quanto mais o banco aplica em habitação mais ele perde. Na avaliação do economista, como dois terços dos recursos captados pelos bancos junto ao público estão comprometidos com o depósito compulsório e aplicações obrigatórias, o que sobra para emprestar é justamente a aplicação mais cara.
Freitas explicou que, sobre essa aplicação mais cara o banco ainda tem que cobrir seus custos e retirar o lucro. Ele afirmou para os senadores que estranhou a pesquisa preliminar, divulgada recentemente pelo BC, apontando a inadimplência como responsável por 70% da taxa de juros cobrada pelos bancos. Na sua opinião a saída para a queda da taxa de juros ao consumidor passa pela "diminuição da repressão financeira" sobre o custo dos bancos.
A decisão do Banco Central no sentido de diminuir a carga dos compulsórios, no entanto, não é fácil, disse o futuro diretor. "O receio do Banco Central parte da nossa propensão extraordinária ao consumo", avisou para em seguida alertar que, sem uma poupança pública, não há como o Banco Central liberar o compulsório.
Para Freitas, o desafio do governo está justamente em aumentar significativamente a poupança nacional, de forma a retomar os investimentos produtivos. Ele lembrou que a poupança privada vem até crescendo, mas que o mesmo não se dá com a poupança pública. "A economia está patinando numa insuficiência de poupança", admitiu.
Bancos - Ele aproveitou a sabatina na CAE para defender o programa de ajuste dos bancos privados e públicos, ou seja, o Proer e o Proes. Sem esses programas o País teria assistido um processo de falências bancárias e de deteriorização da credibilidade, disse. "Os custos foram relativamente baratos e os benefícios altos", afirmou.
Quanto à crítica dos senadores de que o governo engessou a possibilidade de acesso ao crédito por parte de estados e municípios, Freitas foi categórico. "O governo não tem que liberar recursos para o Estado ou município", disse. O economista defendeu que o próprio município, com as contas arrumadas, vá ao mercado privado e pegue os recursos. "Não é isso que acontece hoje", admitiu.
Segundo Freitas 99% do crédito bancário para estados e municípios está nos bancos oficiais. E a concentração, segundo ele, não pára por aí. Cerca de 40 a 45% de todos os depósitos e de todos os créditos concedidos no País saem do Banco do Brasil e da Caixa EconômicaFederal.
A aprovação do nome de Freitas por todos os 25 senadores presentes à sabatina foi uma surpresa até mesmo para o presidente da Comissão, senador Ney Suassuna (PMDB-PR). "Isso nunca aconteceu antes", disse o senador.

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