São Paulo, 27 (AE)- Os juros praticados pelos cartões de crédito, considerados elevados pelo mercado, estão na mira do Banco Central, que já está desenvolvendo um amplo estudo para descobrir o que ocorre com eles. A informação é do diretor de Política Monetária do Banco Central, Luis Fernando Figueiredo. O estudo estará pronto ainda no primeiro trimestre de 2000 e terá o seu resultado divulgado pelo BC, anunciou o executivo.
Figueiredo disse que a decisão do Banco Central é tornar cada vez mais transparente as operações financeiras no País. "Assim fizemos com as taxas de juros praticadas nos cheques especiais e em outros tipos de empréstimos", afirmou. "Isto serviu para reduzir um pouco as taxas de juros. Mostramos a importância do spread, a comissão dos bancos na composição de um empréstimo bancário. Os bancos também estão se esforçando para aumentar sua produtividade. Tudo isto ocorre porque há uma grande competição. A transparência e a competição trarão bons resultados, e os juros cairão".
O diretor de Política Monetária do Banco Central salientou que não se pode dizer que as taxas de juros estão em níveis normais. "Ainda estão muito elevadas", destacou. "Mas, se os fundamentos da economia forem bem aplicados e se tiver mais credibilidade nisso no País, as taxas de juros cairão muito em dois anos. Ai sim se estará em um nível de juros praticados em países desenvolvidos".
Figueiredo lembrou que há também no País, o componente da inadimplência, mas que ela está realmente sendo reduzida no País. "As pessoas estão quitando seus compromissos ", afirmou. "O fato concreto é que a inadimplência está de fato em queda no País. As pessoas estão recebendo o 13. salário e estão pagando suas dívidas junto ao sistema financeiro. Isto estereliza os recursos. Também significa que não há geração de inflação. Outro aspecto importante é que estamos elaborando o cadastro dos usuários do sistema, para ajudar na cessão de empréstimos. Vamos ter a caracteristica dos emprestadores, facilitando decisões sobre eles e sobre as taxas de juros que incidirão sobre seus empréstimos".
Segundo Figueiredo, não foi adotada nenhuma medida em relação aos juros, por causa da inflação. "Mas os focos da inflação são pontuais e estão caindo um a um. Por exemplo, a carne que chegou a ter a arroba em R$ 44,00, hoje já está em R$ 40,00. O preço do álcool que também subiu abusivamente, já está começando a cair. Como se vê os efeitos pontuais da inflação estão começando a ceder. Vamos ter uma redução da inflação, sem dúvida alguma". Ele lembrou que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central está marcado para 15 de dezembro próximo.

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