São Paulo, 31 (AE) - O cenário semanal do Lloyds Bank divulgado hoje salienta que o principal evento da semana deverá ser a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) marcada para amanhã (01). Segundo os economistas do Lloyds, o mercado trabalha com a expectativa de que diante do atual quadro cambial, o BC possa vir a optar pela manutenção da taxa de juros, com viés neutro. No entanto, como as expectativas inflacionárias continuam se mantendo dentro de um patamar aceitável, existe a possibilidade de que o Copom opte pela redução da taxa Selic, em 0,25 ou 0,5 ponto percentual. "Em síntese, trabalhamos com a taxa Selic em 19,25% com a manutenção do viés neutro, mas a redução para 19% ou manutenção em 19,5% não nos surpreenderia."
Segundo, ainda a análise do Lloyds, foram divulgados dois números fiscais importantes na última semana, "que, de certa forma ficaram aquém das expectativas". O BC divulgou o resultado do Setor Público Consolidado, "que se, por um lado, mostrou um superávit primário de R$ 13,6 bi, superando em aproximadamente R$ 800 milhões a meta estabelecida com o FMI, por outro, ficou aquém das expectativas do mercado (que esperava R$ 1,5 bi acima do acordo)".
O estudo salienta que se destaca o fraco desempenho das empresas estatais, que fecharam o semestre com déficit de R$ 884 milhões (segundo o acordo, essa esfera de governo teria que ter um superávit de R$ 3,9 bi em 99). O segundo resultado fiscal divulgado na semana foi o superávit primário de R$ 1,9 bi do Governo Central (Tesouro, INSS e BC). O destaque negativo ficou com os gastos do governo federal com as Outras Despesas de Custeio e Capital, que ficaram em R$ 3,5 bi, mantendo uma média ano de R$ 3,1 bi (o governo se comprometeu a reduzi-las para perto de R$ 2,9 bi/ mês este ano)".
Diz ainda que a 3a. quadri do IPC-Fipe surpreendeu favoravelmente ao ficar em 0,90%, com queda de 0,23 pontos percentuais (em relação a quadri anterior). O item vestuário caiu de 0,52% para uma deflação de 1,38% nesta quadri e justifica grande parte da queda observada. Por outro lado, o grupo alimentação e as tarifas ainda pressionam o índice. Assim, as projeções para o mês passam a ser de um IPC-Fipe em torno de 0,75%, aquém das expectativas anteriores do mercado que rondavam a casa de 1%".
O cenário do Lloyds diz ainda que "a inflação depois do soluço de julho, dá sinais de desaceleração, mesmo porque o governo parece não pretender voltar a elevar os preços dos combustíveis nos próximos meses. Para se ter uma idéia, o setor público registrou aumento de 9,46% nos 7 primeiros meses do ano, contra 1,71% em igual período de 98. A seguir vêm os bens duráveis com +6,35% (-3,89% de jan-julho/98) e os produtos industrializados, com +4,08% (-1,06%). Já o setor de serviços, vem apresentando uma evolução melhor em 99, com alta de apenas 0 49% no período (0,59%). Ou seja, a inflação até o momento vem sendo fortemente influenciada pelo setor público. Em tempo: o core inflation ficou em 0,02% na 3a. quadri, ante os -0,03% na quadri anterior. Evolução tranquila".
Na sua análise sobre a política cambial brasileira o Lloyds disse que "nem mesmo a melhora parcial do ambiente político, das últimas semanas, vem sendo suficiente para reduzir as pressões sobre o mercado. Apesar da mudança de postura do BC, que após alguns meses voltou a atuar diretamente no mercado e a oferecer papéis cambiais de menor prazo, o real continuou se desvalorizando ao longo da última semana. O dólar. que chegou a ser negociado a R$ 1,87 na 2ª.feira, voltou a subir, fechando a semana em R$ 1,94.
Entre os motivos que podem explicar este movimento destacam-se a busca por hedge pelas empresas e a não melhora na balança comercial, sobretudo com o ainda fraco desempenho das exportações, que não melhora a oferta de dólares. Assim, é preciso que o governo volte a gerar fatos positivos, especialmente no campo das reformas, de modo a melhorar a imagem do país para reduzir, em parte, a pressão sobre o Real. "Em tempo: a balança comercial de agosto tem déficit de US$ 134 milhões até o dia 27".

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