Brasília, 5 (AE)- O governo brasileiro continuará reduzindo as taxas de juros ao longo deste ano, o que permitirá aumento nos investimentos do setor público, com consequências positivas sobre o emprego e o consumo. É o que afirma o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, no texto "The Brazilian Economy in the Year 2000", enviado ontem a bancos, consultores, autoridades, jornalistas e outras agências do sistema financeiro.
O secretário ressalta que o maior desafio para a economia neste ano será manter o processo de ajuste fiscal e consolidar as reformas estruturais. Ressalta também que o cenário macroeconômico para o Brasil neste ano é "positivo", após a superação de problemas surgidos em 98. Amadeo destaca que a desvalorização do real, ocorrida no início de 99, não teve como consequência a elevação exagerada nos preços.
O fato de a inflação não haver explodido, por sua vez, ajudou o Brasil a superar o cenário de "profunda recessão" que se esperava para 99. Pelo contrário
o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve uma expansão da ordem de 0,6%, segundo informa o texto. O documento informa ainda que a taxa de desemprego fechou o ano de 99 em 7,5% e os investimentos estrangeiros diretos, em cerca de US$ 28 bilhões.
Amadeo afirma ainda que, mesmo sofrendo choques de oferta como a elevação dos preços internacionais do petróleo, o aumento das tarifas públicas e a entressafra rigorosa, a inflação foi mantida "sob controle" no ano passado. Para 2000, o governo pretende consolidar o esforço já iniciado no controle dos gastos públicos, começando o processo de redução da dívida pública como proporção do PIB. Esse esforço fiscal, lembrou o secretário, fez o superávit primário (receita menos despesas, exceto juros) do setor público consolidado (governos federal, estaduais, municipais e empresas estatais) sair de praticamente zero, em 98, para o equivalente a 3,1% do PIB, em 99.
O controle nas contas públicas e a flexibilidade no câmbio permitirão ao governo, neste ano, continuar no processo de "declínio continuado nas taxas de juros", na avaliação de Amadeo. Segundo o secretário, a queda dos juros deverá abrir espaço para o crescimento do crédito ao setor produtivo, fazendo aumentar os investimentos. Com maiores investimentos, haverá maior oferta de emprego e maior consumo, "sem comprometer as metas de inflação", afirma o texto.