São Paulo, 22 (AE) - O economista José Júlio Sena, da MCM Consultores, acredita que a taxa Selic será reduzida dos atuais 21% para 20,5% ou 20% na próxima reunião do Copom, no dia 28. Simultaneamente, o viés de baixa para a condução dos juros poderá ser interrompido. Segundo ele, o viés de baixa perdeu importância já que a tendência, agora, é de reduções "modestas" dos juros em função das "incertezas" tanto no plano externo como no plano interno.
"Enquanto os movimentos na taxa de câmbio, decorrentes da percepção de aumento do risco Brasil forem vistos como reversíveis, não há razão para interromper a redução dos juros"
disse Sena. Desde a desvalorização do real no mês de janeiro, a percepção do mercado foi de que eventuais altas da taxa de câmbio eram reversíveis, o que, segundo o economista, fez com que os juros mantivessem sua queda.
Apesar da advertência do presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan de que os juros americanos podem subir se a inflação crescer, Sena acha que essa é apenas uma das componentes das incertezas externas. Ao lado disso, estão os acontecimentos na Argentina e o baixo nível de crescimento da América do Sul neste ano em comparação a dos países asiáticos . "Toda essa situação é que é importante", afirmou, descartando uma análise isolada.
Do lado interno, a situação fiscal é o fator mais preocupante. "Para mudar esse cenário, é preciso que haja um avanço das mudanças estruturais no segundo semestre", afirmou, explicando que isso implica não apenas em liderança política, mas também em grandes mobilizações no Congresso já que são votações que exigem um quorum mínimo de metade mais um dos parlamentares ou, em alguns temas, dois-terços.

mockup