Rio, 17 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou hoje que já há condições para a queda da taxa de juros reais no Brasil. Segundo ele, foi a "virada na política fiscal que criou as pré-condições para que os juros reais sejam mais baixos". Fraga também disse que o Banco Central ficará atento para evitar "uma bolha financeira" na retomada do crescimento econômico.
Ele fez palestra no XI Fórum de Altos Estudos, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), coordenado pelo ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso, e vinculou a trajetória de queda dos juros aos bons resultados na área fiscal. "O Banco Central é e será tão bom quanto a política fiscal subjacente que vigora no País."
Fraga disse as empresas e bancos brasileiros são pouco alavancados e que isso explica, em parte, porque a recuperação da economia brasileira está surpreendendo analistas nacionais e estrangeiros. "Isso explica porque teremos crescimento no segundo semestre, se não já no segundo trimestre", disse ele. "Não tivemos aqui a destruição de balanços que ocorreu na ásia."
Fraga listou três prioridades de ação do BC: sistema de metas de inflação, contribuição para o desenvolvimento (que passa por um sistema de intermediação financeira eficiente e estável) e supervisão bancária. Neste último, observou, o BC precisa ficar atento para que não corra uma "bolha financeira na retomada da economia". Em outros países que passaram por crises semelhantes, disse ele, esse risco ocorreu.
Fraga confirmou que o novo modelo de política monetária - baseado em metas de inflação - começará a ser colocado em prática no fim de junho. O modelo, disse, dará mais transparência à atuação do BC, que passará também a produzir um relatório trimestral da inflação.
No início da sua exposição, Fraga afirmou que o dever de um Banco Central é dar condições para um ambiente econômico estável e previsível. Segundo ele, o dever do governo para proporcionar crescimento econômico é "viver claramente dentro das nossas contas".
FMI - O principal executivo do Banco Morgan Stanley para a América Latina, Francisco Gros, disse que é possível que o Brasil abra mão da segunda ou terceira parcelas de ajuda do FMI. Segundo Gros, a continuar a "extraordinária receptividade" às empresas privadas que já se preparam para lançar títulos novos no exterior e a recuperação da economia brasileira, as parcelas seriam "perfeitamente dispensáveis".

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