Juro pode e deve baixar mais, diz Malan
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de agosto de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 30 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse hoje no seminário "Os Rumos da Economia Brasileira", em São Paulo, que a taxa de juros pode e deve ser baixar, mas a intensidade depende de avaliação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. "Quero lembrar que a taxa é a mais baixa dos últimos tempos, mas podemos fazer melhor", disse, sem fazer previsões exatas sobre quanto podem cair e vinculando a redução à continuidade das reformas econômicas. Amanhã, o BC fará sua reunião do Copom.
O ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, disse que a redução da diferença entre os juros referenciais (do BC) e os da ponta (ao consumidor) será feita "o mais rápido possível, de modo prudente". Ele não quis fazer projeções a respeito do resultado da reunião do Copom. Segundo Carvalho, o BC está analisando todos os fatores para identificar as brechas e ações possíveis, levando em conta que o spread bancário é pesado.
Segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, que também esteve no seminário, as medidas para reduzir os juros ao consumidor serão divulgadas pelo BC até o fim de outubro. "O BC anunciará medidas para reduzir os spread, que envolverão aspectos legais, permitindo a recuperação do crédito em tempo menor."
Malan comentou ainda o previsto lançamento de Bônus da República em euros, afirmando que, se o BC decidiu lançar os títulos agora, mesmo com o comportamento instável dos mercados, é porque identificou uma oportunidade. Segundo ele, a emissão está sendo feita não para cobrir dificuldades no financiamento da conta corrente, mas para dar referências ao mercado privado.
A preocupação com a instabilidade, que pode ocorrer durante o período de eleições na Argentina, esteve presente nas análises tanto do ministro quanto de ex-integrantes do governo, como o ex-secretário José Roberto Mendonça de Barros.


