Juro menor é sinal de que crise foi controlada, dizem empresários
São Paulo, 7 (AE) - A decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juro de 32% para 29,5% ao ano indica que já desapareceram as razões fundamentais que levaram o governo a elevar o custo do dinheiro logo após a mudança do regime cambial. A análise foi feita hoje pelo presidente do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Boris Tabacof. "A inflação e o nível das reservas cambiais estão sob relativo controle", afirmou Tabacof.
Passado o período de instabilidade maior, não há mais justificaticava para manter uma taxa tão alta, afirmou Tabacof. A partir de agora, o governo deve criar mecanismos para que a economia volte a caminhar. "Os eventuais efeitos positivos proporcionados pelo aperto na política monetária já se tornaram inócuos." Segundo Tabacof, sobram apenas os nocivos, como o desaquecimento da economia e o desemprego.
Também os representantes do comércio consideraram positivo o corte de 2,5 pontos porcentuais nos juros. Eles acreditam que essa notícia já possa repercutir favoravelmente nas vendas do Dia das Mães. Mas, na prática, as grandes cadeias de lojas e financeiras só devem começar a ajustar as taxas a partir da próxima semana.
"Além da redução de juros, outra notícia importante para o ritmo de atividade econômica foi o corte no compulsório dos depósitos bancários," disse o economista Fábio Pina, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Ele explica que as duas medidas vão contribuir para um aumento do crédito no mercado. "A equipe econômica está atenta e atingindo o limite que permite cortar juros sem elevar a inflação", afirmou Pina.
Para o presidente da Associação dos Lojistas de Shoppings (Alshop), Nabil Sahyoun, apesar desse corte, a taxa de juros de 29,5% ao ano é muito elevada para uma expectativa de inflação em torno de 7% para 1999. Ainda assim, ele considerou positiva a iniciativa do governo de reduzir novamente os encargos financeiros.
Nas projeções de Sahyoun, as grandes redes de lojas só deverão alterar as taxas de juros a partir da semana que vem. Ele argumentou que a redução deverá ser significativa porque essa é a segunda mudança em menos de 15 dias, o que permite acumular o repasse de cortes anteriores que não foram feitos antes.





