São Paulo, 01 (AE) - O consumidor está pagando hoje a menor taxa juros do Plano Real ao comprar a prazo nas grandes redes de lojas. Magazines que cobram atualmente encargos de 3% ao mês no crediário não financiavam a venda de mercadorias por menos de 9% ao mês no início da estabilização. Na média, as taxas caíram pela metade. Pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac) mostra que os juros médios do comércio em agosto de 1995 eram de 14,85% ao mês. Em janeiro deste ano, a taxa média era 7,51%.
A queda dos juros e o recuo da inadimplência registrada nos últimos meses já começaram a ter impacto no ritmo de vendas do comércio. No mês passado, as consultas para compras parceladas cresceram 10,9% na comparação com igual período de 1999, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). "A venda a prazo deve impulsionar o comércio neste ano", prevê o presidente da ACSP, Alencar Burti, ponderando, no entanto, que a base de comparação é fraca. É que em janeiro de 1999 as vendas a prazo tiveram redução por conta da desvalorização do real. Tanto é que o total de consultas de crediário recebidas em janeiro deste ano é 2,3% inferior ao do mesmo mês de 1998.
Segundo Burti, os juros devem cair mais para o consumidor, por causa da acirrada concorrência entre as grandes redes que estariam abrindo mão de margens para conquistar fatias de mercado. "Comprar a prazo voltou a ser um bom negócio", diz o empresário.
Para o economista da entidade Marcel Solimeo, além do fato de as lojas estarem cobrando hoje os menores juros nominais do Plano Real, outro fator de recuperação de vendas financiadas é a queda da inadimplência. No mês passado, o volume de carnês com prestações atrasadas mais 30 dias foi 24,9% menor que em igual período de 1999 e recuou 16,9% na comparação com dezembro. Solimeo destaca que o impacto maior do calote por causa das compras de fim de ano deve ocorrer em março e abril, mas, na sua opinião, a inadimplência no primeiro trimestre deste ano será menor que a de janeiro a março de 99. Na análise do economista, as lojas estão cobrando taxas menores porque repassaram para o consumidor não apenas a redução dos depósitos compulsórios por parte do governo, mas também a queda da inadimplência, que permitiu embutir uma taxa de risco menor no custo dos financiamentos.
As estatísticas da ACSP mostram que a inadimplência das empresas também recuou neste início de ano. O número de concordatas requeridas caiu 40% na comparação com janeiro de 99 e as falências recuaram 28,3% em igual período. O volume de títulos protestados, tanto das empresas como das pessoas físicas
foi 51,3% inferior no mês passado em relação a janeiro de 99.
"A queda na insolvência das empresas e dos consumidores é seguida sempre de uma recuperação do ritmo de atividade da produção industrial e das vendas", diz Solimeo. Com as finanças em dia, as empresas voltam a contratar e a estimular a economia.
Contramão - Apesar de a maioria dos indicadores do comércio apontar para a recuperação do nível de atividade, os índices de consultas para vendas à vista e de recuperação de carnês com prestação em atraso estão no sentido oposto dos demais. As consultas ao Telecheque caíram 7,7% em janeiro na comparação com o mesmo mês de 99. Os registros de carnês recuperados recuaram 11,2% nesse período. Burti diz que o recuo reflete a troca do uso do cheque pelo cartão de crédito.

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