Juro cai para 22% ao ano na 8ª redução desde março
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 8 (AE) - O Banco Central voltou hoje a reduzir as taxas básicas de juros que passam de 23,5% para 22% ao ano. A partir de amanhã (9), portanto, o BC passa a praticar o novo patamar de juros nas suas operações com o mercado. Esta foi a oitava redução de taxas anunciada pelo BC desde março. A taxa anterior estava em vigor desde o último dia 20 de maio.
O anúncio da medida foi feito pelo diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo. "O principal motivo para a nossa decisão foi o fato da inflação continuar em queda"
afirmou o diretor.
Na última segunda-feira, durante viagem a Buenos Aires, o presidente Fernando Henrique Cardoso já havia garantido que a trajetória de queda dos juros, como vem ocorrendo desde março, seria mantida. Figueiredo explicou que, mesmo com a possibilidade da inflação ter um pequeno aumento, como está sendo esperado, a tendência de todos os índices, no médio e longo prazo, continua sendo declinante. "A inflação pode ter um soluço, mas o importante é a tendência", assegurou o diretor.
Além do comportamento da inflação que, segundo insistiu Figueiredo, "é o que está guiando a política monetária", o diretor também destacou outros fatores importantes que continuam permitindo a trajetória de queda dos juros. São eles a situação fiscal mais tranquila e a manutenção dos fluxos de recursos externos para o País.
Sem citar números, ele garantiu que o fluxo do capital estrangeiro para o Brasil "está dentro da normalidade". Esta normalidade, segundo o diretor, significa que "não estão entrando volumes enormes de dinheiro nem saindo". Mas destacou que, o volume do capital de boa qualidade está acima das necessidades do País.
Sobre a possibilidade de um aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, o diretor do Banco Central salientou que qualquer mexida nos juros norteamericanos "será apenas um ajuste fino". Ou seja, a taxa não sofrerá grandes alterações. "Nesse caso o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil não sofrerá qualquer impacto". Caso haja surpresa, admitiu, "o mundo vai sofrer e nós também".
Figueiredo anunciou ainda que o governo está estudando formas de fazer com que as reduções de taxa decididas pelo BC cheguem mais rapidamente ao consumidor. Ele explicou que isso pode ser feito adotando medidas que levem a uma queda da inadimplência em todo o sistema financeiro e, também, provoquem uma retração no spread cobrado pelos bancos.
Neste caso, segundo o diretor, o que está mais à mão do Banco Central é baixar medidas que gerem mais concorrência entre as instituições.
O diretor não quis fazer qualquer previsão, mas o mercado espera que, no próximo dia 23, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) faz reunião ordinária, poderá ser decidida mais uma redução dos juros.


