Brasília, 12 (AE) - O Banco Central voltou hoje a reduzir a taxa básica de juros, que cai 29,5% para 27% ao ano, a partir de amanhã (13). Ou seja, o BC abrirá suas operações com o mercado já praticando juros 27% ao ano. Por causa da crise da Rússia, em setembro passado, as taxas básicas foram elevadas de 25,75% ao ano para 29,75% e, três dias depois, sofreram novo aumento e pularam para 49,75% ao ano. O novo patamar dos juros, portanto, é o mais baixo desde o período que antecedeu aquela crise.
Um superávit primário do setor público no primeiro trimestre do ano, acima da meta de R$ 6 bilhões constante do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o bom desempenho dos índices inflacionários, que continuam em queda e, ainda, uma forte entrada de capital externo no País nos últimos dias foram os motivos que levaram o Banco Central a rever a redução dos juros que havia sido definida na última sexta-feira.
As explicações foram dadas pelo diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, salientando que, embora estas condições já fossem previstas na sexta-feira passada, tanto os dados prelimares do resultado fiscal do setor público como o ingresso dos recursos externos, ficaram mais evidentes no início da semana.
Segundo ele, os dados preliminares do resultado fiscal do primeiro trimestre indicam que "há uma folga em relação à meta" firmada com o FMI. Sobre o capital estrangeiro, ele destacou que, à medida que os ingressos aumentam, "pode ser vista uma melhora qualitativa destes recursos".
As taxas anteriores de 29,5% ao ano vigoraram por apenas três dias úteis pois,decididas na última sexta-feira, foram praticadas a partir da segunda-feira passada.
Foi a sexta redução dos juros no prazo de 48 dias. Desde que Armínio Fraga e a nova equipe assumiram o Banco Central, em março passado, e elevaram os juros para 45% já houve uma retração de 18 pontos porcentuais nas taxas.
CPI - Figueiredo desconsiderou qualquer possibilidade do governo ter reduzido os juros por causa do arrefecimento da CPI do sistema financeiro que, no momento, ainda investiga os casos dos bancos Marka e FonteCindam.
Ele reforçou que as condições avaliadas pela diretoria do BC foram puramente técnicas, o que permitiu que o presidente da instituição recorresse pela quinta vez à prerrogativa do viés e decidisse pela queda das taxas fora da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

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