Juro básico cai de 39,5% para 34%, e tende a nova queda
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 14 (AE) - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve hoje a tendência de queda dos juros reduzindo a taxa Selic de 39,5% para 34% ao ano. Foi a terceira redução em 20 dias. Amanhã (15) portanto, o BC abrirá as operações com o mercado praticando o novo patamar de juros. Atualmente, a taxa Selic indica os juros básicos praticados na economia.
A nova taxa foi anunciada pelo diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo. Ele informou, ainda, que o Copom também manteve o viés de baixa. Ou seja, o instrumento que dá ao presidente do BC, Armínio Fraga, a prerrogativa de fazer novas reduções nas taxas antes da próxima reunião do comitê prevista para o dia 19 de maio.
Segundo o diretor, além da continuar constatando que a inflação tem tido bom comportamento, ficando cadente, tanto nos preços ao consumidor como nos preços de atacado, o governo pôde reduzir os juros também por causa da melhora no cenário internacional. "Estamos vendo a volta devagar, mas tranquila e consistente, do fluxo externo ao país", afirmou o diretor.
Na decisão da nova taxa, o Copom foi mais ousado que o esperado por alguns analistas mercado. A expectativa destes analistas era que as novas taxas de juros caíssem para 35% ao ano. Outros, no entanto, chegaram a fazer projeções mais radicais estimando que as taxas ficariam entre 31% e 32% ao ano. A expectativa geral no mercado, entretanto, é que os juros continuem caindo nas próximas semanas.
Segundo já admitiu Fraga, a tendência é de mais melhora no cenário internacional. Ele também destacou que o capital externo, principalmente as linhas de comércio, já estão voltando ao País.
"As linhas estão melhorando e vão melhorar mais ainda"
afirmou. Ao mesmo tempo, o governo também prepara-se para retomar, nos próximos dias, o lançamento de bonus no exterior.
Na última reunião do Copom, no dia 4 de março, quando Fraga e os novos diretores tomaram posse no BC, os juros básicos foram elevados de 39% para 45%. Para explicar a elevação daquele dia, o presidente do BC argumentou que havia uma grande preocupação com a inflação.
Com o melhor comportamento dos índices, que têm ficado sempre abaixo das estimativas feitas pelo mercado, ele lançou mão do viés pela primeira vez já no dia 25, quando as taxas caíram para 42%.
Dez dias depois, em 5 de abril, o BC anunciou nova queda nos juros que foram fixados nos 39,5% vigentes até hoje. Nas duas vezes em que a taxa foi reduzida, foi divulgado um comunicado no Sisbacen (sistema de informações do BC). De acordo com explicações dadas por Figueiredo, na segunda mudança, a redução também foi decorrente dos índices mais baixos de inflação.
Na ocasião, o diretor admitiu, ainda, que até o final do ano, é possível que a média da taxa Selic para o ano fique abaixo dos 28,8% estabelecidos no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Analistas do mercado, no entanto, têm projeções otimistas, pois prevêem que os juros estarão em 25% no fim de junho e em 18% fim do terceiro trimestre.
Viés - Dentro da sistemática do viés introduzida no mês passado, o Copom tem três alternativas: determinar que, no período específico entre as reuniões do comitê, o viés é ascedente, descendente ou, ainda, decidir por não fixá-lo. Uma vez determinado, no entanto, o presidente do BC pode fazer quantas alterações considere necessárias nas taxas.
Mas isso desde que todas elas sigam a mesma tendência. No caso do governo resolver mudar o rumo dos juros, uma reunião extraordinária do Copom tem que ser convocada para validar a decisão.
Uma convocação extraordinária também é necessária quando a opção é por não fixar o viés. Neste caso, qualquer mudança, para cima ou para baixo, tem que ser decidida pelo comitê.


