Brasília, 18 (AE) - A decisão do Federal Reserve, o banco central americano, de manter as taxas de juros, não deverá ter repercussão no mercado interno. A afirmação foi feita hoje pelo diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, considerando que a decisão do Fed "estava dentro das expectativas". Assim, na reunião que realiza amanhã, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, deverá manter o ritmo de redução das taxas básicas de juros.
No mercado, a expectativa é que, a partir de quinta-feira, as novas taxas deverão ficar entre 23% e 24% ao ano, sendo mantido o viés de baixa, como tem ocorrido desde que a nova diretoria do BC tomou posse no início de março.
Na segunda-feira, durante seminário no Rio de Janeiro, o presidente do BC, Armínio Fraga, já havia antecipado que, qualquer que fosse a decisão do Federal Reserve, não teria influência na condução da política de redução de juros no Brasil. Segundo ele, foi a "virada na política fiscal que criou as pré-condições para que os juros reais sejam mais baixos".
Para o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, a manutenção dos juros americanos, mesmo com viés de alta, como decidiu o Federal Reserve, não terá influência nas análises que os integrantes do Copom farão para decidir as taxas de juros. Segundo ele, a opção do Fed em mudar o viés, que vinha neutro, foi uma atitude preventiva.
Esta mesma opinião é dividida por uma fonte do BC: "A preocupação do Federal Reserve é com o recrudecimento da inflação nos Estados Unidos", salientou. Ele assegurou que a decisão do banco central americano não terá impacto nas discussões do Copom, pois "foi uma precaução".
Loyola lembrou que, mesmo com a possibilidade de aumento das taxas americanas, uma vez que o Fed optou pelo viés de alta, as taxas reais do mercado interno ainda estão muito distantes das internacionais. O ex-presidente do BC acredita que o viés de alta é mais uma sinalização para que o próprio mercado faça os ajustes necessários para impedir o aumento da inflação. Assim, não há motivos para os investidores internacionais continuarem voltando ao Brasil.
Uma nova redução das taxas básicas será a sétima em menos de dois meses. Depois da elevação para 45% ao ano, no dia 4 de março, as taxas já caíram para 27%, patamar que estão desde a semana passada.

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