Juro alto com aperto fiscal é receita tradicional do FMI Denise Neumann e Márcia de Chiara
São Paulo, 04 (AE) - O governo brasileiro vai adotar a receita clássica do Fundo Monetário Internacional (FMI) para combater a crise na economia brasileira. A receita embutida nas novas metas anunciadas hoje pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, é a mesma recomendada pelo FMI aos países asiáticos durante a crise de 1997: juros altos e aperto fiscal para evitar a alta da inflação, avaliou o economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate.
O ministro disse hoje que o governo pretende obter um superávit primário nas contas públicas de 3,0% a 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e manter a inflação anual na casa de um dígito em 1999. Os juros altos serão utilizados para conter a alta de preços.
Meta anterior - A meta anterior acertada com o FMI era um superávit primário de 2,6% e o novo objetivo significa um esforço extra entre arrecadação e corte de gastos de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões, calcula Abate. Nas contas do Lloyds Bank
o efeito de taxas de juros altas e aperto fiscal sobre a atividade econômica será muito forte, podendo resultar em uma recessão próxima de 4%.
Antes da crise cambial de janeiro, as análises do governo e dos economistas para a queda do Produto Interno Bruto em 99 variavam entre 1% e 2% negativos.
Na opinião do presidente do Conselho Federal de Economia
Antônio de Corrêa de Lacerda, não há ajuste que sobreviva a essa política de juros altos. Atualmente, explica, o custo do endividamento público representa 8% do PIB, mais de R$ 70 bilhões. E essa receita do FMI, argumenta, não atende aos interesses do País.
Para o economista, o aperto monetário e fiscal resultará em mais recessão. A saída para reverter o quadro, segundo economista, é estabilizar o câmbio e baixar os juros para que a economia retome a rota do crescimento.
O auge da desaceleração da atividade, avalia Abate, será nos próximos cinco a nove meses. Na ásia, diz, os juros altos também foram utilizados para conter os efeitos da desvalorização da moeda sobre a inflação e começaram a ceder após os primeiros três meses.
A receita do FMI, explica Abate, só tem sentido se os juros conseguirem controlar a inflação no primeiro momento. No médio prazo, as taxas precisam diminuir. Do contrário, explica, o efeito sobre o estoque da dívida pública seria explosivo.
Se os juros forem reduzidos fortemente no médio prazo, observa, as preocupações com o aumento excessivo da dívida pública e dificuldades de pagamento ficam sem sentido.





