Brasília, 19 (AE) - O jurista Celso Bastos admitiu nesta manhã, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, que a ação do Ministério Público de invadir as residências dos envolvidos no caso dos bancos Marka e FonteCindan, pode ter sido abusiva. Segundo ele, existe a possibilidade de invasão de domicílio para casos "excepcionalíssimos". "Neste caso não me parece que tenham comparecido razões que pudessem ensejar medidas dessa gravidade", afirmou o jurista.
Para ele, não há nada neste caso que prove qualquer envolvimento do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, no caso de favorecimento a bancos com informações privilegiadas, que justifique a invasão de seu domicílio e dos controladores dos outros dois bancos .Segundo o jurista, o Ministério Público não apresentou argumento conclusivo contra os envolvidos. "Não há nada a não ser um bilhete - o que qualquer um de nós pode receber - que prove o que quer que seja contra essa figura", afirmou Celso Bastos, referindo-se ao ex-controlador do Banco Marka, Salvatore Cacciola.
Segundo o jurista, a invasão de domicílio quando praticada indevidamente, é passível de indenização moral. "O Ministério Público assumiu uma responsabilidade grande. Ele levou o juiz a conceder essa ordem (invasão de domicílio). Se ele (Ministério Público) conseguir ainda mostrar a culpabilidade dos envolvidos, terá esse abrandamento. Mas se nada ficar provado, creio que cabe um grande pedido de indenização por danos morais", afirmou.

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