A juíza Heloísa Gomes Gonçalves, de Laranjeiras do Sul (109 km a oeste de Guarapuava), suspendeu ontem a sessão do júri popular que iria julgar o empresário Luís Vailat, acusado de ser o mandante de uma chacina em assentamento sem-terra. Em 10 de abril de 2000, uma família inteira foi chacinada no assentamento do Apra (Associação de Produtores para a Reforma Agrária), em Rio Bonito do Iguaçu (Centro-Oeste).
O fugitivo do presídio de Laranjeiras do Sul Rosenir da Luz Borges assumiu a autoria da chacina. Aldenir Almeida de Souza, 34 anos, sua mulher Noemi Marcanssoni, 24, e os filhos dela Paulo Antônio, 5, e Rony Anderson, 3, foram mortos a tiros e machadadas.
Borges disse que matou Souza a mando de Ilgo Batista de Oliveira, do ex-vereador Luís Otávio Paiva e do empresário Luís Vailat. Segundo depoimento de Borges, a mulher e as crianças foram mortas para para não incriminá-lo. As denúncias contra Oliveira e Paiva não foram acatadas pela juíza.
A suspensão do julgamento foi motivada por pedido de desaforamento pelo Ministério Público de Laranjeiras do Sul. De acordo com o Ministério Público, o advogado de Vailat, Almir Machado de Oliveira, teria intimidado os 21 jurados escolhidos para a sessão de ontem.
Oliveira disse que visitou ‘‘alguns jurados, o que é facultado por lei’’. Ele, porém, negou que estivesse ‘‘intimidando ou tentando pressionar jurados para a absolvição de Vailat’’.
O pedido de desaforamento será apreciado pelo Tribunal de Justiça do Paraná na próxima semana. A promotoria quer o novo júri em Curitiba.

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