Júri inocenta policiais militares acusados da morte de filho de ex-jogador do LEC
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quarta-feira, 27 de novembro de 2019
Rafael Machado - Grupo Folha 
Quinze anos depois, os policiais militares Edney Ronaldo Gomes e Rangel Barbosa da Cunha foram inocentados da morte de Raphael Bezerra da Silva, filho do ex-jogador do Londrina Esporte Clube (LEC), José Carlos da Silva, o Zequinha, que jogou no Tubarão entre as décadas de 80 e 90. O júri popular durou mais de 13 horas e só terminou na madrugada desta quarta-feira (27).

O placar da votação dos sete jurados não foi divulgado pela juíza Deborah Penna, que comandou a sessão. Na época com 20 anos, o jovem morreu em novembro de 2004. De acordo com a denúncia do Ministério Público, os PMs seguiam atrás de um criminoso que havia roubado um Celta no cruzamento das avenidas Rio de Janeiro com JK. O veículo foi encontrado abandonado na esquina das ruas Mossoró com Quintino Bocaiúva. O ladrão foi preso no mesmo local.
O assaltante teria dito aos PMs que outros objetos da vítima levados no roubo estariam em uma casa na rua Odila Alves Pedra, no conjunto Ernani Moura Lima, região leste, imóvel onde Raphael Silva permanecia com alguns amigos. A promotora Susana de Lacerda, que na ocasião atuava na 1ª Vara Criminal, argumentou que os tiros que mataram o filho de Zequinha foram disparados por Edney, já que a submetralhadora de Rangel tinha falhado.
Ainda conforme o MP, os agentes alteraram a cena do crime, colocando um revólver calibre 38, o que levaria a Justiça a entender que Raphel teria atirado contra os servidores públicos. "Os jurados compreenderam que o Rangel não teve qualquer tipo de autoria nesse caso. O Ministério Público montou uma versão com afirmações que conseguimos demonstrar que elas jamais existiram, como a afirmação de que a Polícia Militar teria retirado a camisa da vítima para dificultar a perícia. Mostramos que o Raphael entrou com essa roupa no hospital e ela foi tirada pelos próprios médicos. Não houve execução", explicou o advogado Walter Bittar, defensor de Rangel Cunha.
Para o advogado Eduardo Mileo, que defende o policial Edney Gomes, a decisão do júri popular foi acertada. "As provas incluídas no processo demonstraram que o Raphael tentou atirar contra o soldado, sendo arquiteto do próprio destino. Ele tentou disparar, a bala picotou falhou e o meu cliente atirou em legítima defesa, como ficou comprovado", esclareceu.
Na tarde desta quarta-feira (27) A FOLHA entrou em contato com o promotor da 14ª Promotoria de Justiça Tiago de Oliveira Gerardi, que atuou no Júri. Ele preferiu não se manifestar sobre o resultado e disse que ainda irá avaliar se o MP vai recorrer da decisão.
Após ser baleado, Raphael Bezerra da Silva ficou internado 40 dias no Hospital Universitário, onde acabou morrendo. Zequinha faleceu em 2013 sem ver o julgamento dos acusados da morte do filho. A reportagem não conseguiu contato com familiares do rapaz.
(Colaborou Vitor Struck)


