Júri é adiado pela quinta vez
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sexta-feira, 05 de dezembro de 2014
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - O julgamento do pecuarista Mauro Janene Costa, acusado de matar a professora Maria Estela Correa Pacheco, há 14 anos, foi adiado pela quinta vez. A defesa do acusado conseguiu liminar junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o júri marcado para ontem pelo motivo de que o desembargador Campos Marques já havia se pronunciado três vezes no mesmo processo. Além disso, o advogado de Janene, Mauro Viotto, apresentou dois atestados médicos que lhe concedem 120 dias de afastamento.
De acordo com a juíza da 1ª Vara Criminal de Londrina, Elizabeth Kather, após a suspensão, determinada pelo ministro Marco Aurélio Mello, não há data prevista para um novo julgamento. Segundo a magistrada, primeiramente, o desembargador havia confirmado a pronúncia do juiz. Na segunda participação, ele decidiu um agravo instrumental. Por fim, Campos Marques determinou que as despesas de viagem e estadia de uma testemunha que estava em Portugal não seriam arcadas pelo Estado.
A juíza informou também que, às 17 horas de quarta-feira, Viotto apresentou os dois atestados médicos: um que atestava dores na coluna, de 120 dias, e outro por problemas de diabetes, de 30 dias. Familiares da professora que chegaram na manhã de ontem ao Tribunal do Júri ficaram revoltados. Vestidos com camisetas estampadas com a foto de Maria Estela e repetindo frases que pediam justiça, eles deixaram o fórum indignados com o que consideram mais uma manobra da defesa em busca da impunidade.
"Nós estamos extremamente decepcionados, fazemos questão de ter esperança na Justiça, mas o que está acontecendo aqui não tem justificativa. Como um erro tão grosseiro desses acontece?", revoltou-se a filha Laila Pacheco Menechino. Chorando muito, ela citou a angústia pelo caso que caminha para completar 15 anos sem julgamento. "Este seria o quinto júri. Cada vez que acontece um adiamento é um sofrimento muito grande para a gente", desabafou. "É um velório", completou a irmã de Maria Estela, Maria Eliza Pacheco.
Os outros quatro julgamentos marcados, desde 2011, foram adiados por motivos como falta de intimação de testemunhas, recursos, conflito de agenda de audiências e problemas de saúde. "Cada vez mais, a Justiça em nosso país está se tornando algo decorativo. É hora de se repensar este modelo. Não é possível que uma pessoa se utilize dos recursos do Direito para poder ficar impune dentro da nossa sociedade", criticou Maria Eliza.
A juíza Elizabeth, que lamentou mais um adiamento, lembrou que a prescrição do processo está prevista para 2022. "Foi uma decisão superior, por isso ficamos de mãos atadas. Todos os serventuários da Justiça estavam prontos para trabalhar. O júri decidiria pela culpa ou não", afirmou. A frustração com a suspensão do julgamento também foi sentida por testemunhas e estudantes de Direito que pretendiam acompanhar o júri. "Estava empolgada em poder acompanhar este júri, mas infelizmente não foi desta vez. Imagino que a revolta da família seja bem maior", analisou a estudante do 10º período de Direito Claudine Barros de Jesus Zaqueu, de 24 anos.
A reportagem procurou o escritório do advogado Mauro Viotto, mas foi informada de que, em virtude da licença médica, ele não iria se pronunciar sobre o adiamento do júri e sobre as críticas da família de Maria Estela.
O CASO
Mauro Janene é acusado de matar a professora de música Maria Estela, no dia 14 de outubro de 2000. Ela, que tinha 35 anos na época, foi encontrada morta no pátio do edifício Diplomata, na Rua Paranaguá (Centro), onde morava o réu, namorado dela à época. Nos depoimentos, o pecuarista afirmou que ela se suicidou. Depois, disse que a vítima teria caído do 12º andar enquanto eles brincavam na sacada. Perícia do Instituto Médico Legal (IML), no entanto, apontou que ela foi morta e depois jogada do apartamento. (Colaborou Lucio Flávio Cruz)


