Júri do caso Zanella adiado mais uma vez
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quinta-feira, 12 de julho de 2007
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Foi adiado pela segunda vez julgamento de quatro dos acusados de envolvimento na morte do estudante Rafael Zanella, ocorrida em maio de 1997, e que estava marcado para ontem de manhã no Tribunal do Júri, em Curitiba. Na primeira vez, dia 3 deste mês, o juiz Ronaldo Sansone Guerra ficou irritado com o adiamento e fez um desabafo frente aos jurados contra a morosidade da Justiça. Dessa vez, o advogado de um dos réus entrou com um pedido de suspeição do juiz, que nem compareceu à sessão.
Ontem, no entanto, ficou decidido que o julgamento dos quatro será realizado separadamente, conforme pediam os advogados de defesa, sendo dois no mês de setembro e dois em outubro.
O promotor do Ministério Público (MP) estadual, Marcelo Balzer, no entanto, lançou ''um desafio'' aos advogados de defesa, ''para que eles mesmo marquem as datas que quiserem para o julgamento''. Esse ''privilégio'', segundo ele, foi a maneira encontrada para forçar o comparecimento de todos nas datas marcadas. Caso não compareçam, o promotor pretende entrar com pedido de prisão preventiva contra os réus, que hoje continuam trabalhando na Polícia Civil.
''Esse desafio que ele guarde para ele, porque o que está em jogo aqui é a liberdade de quatro homens'', rebateu o advogado Cláudio Dalledone Junior, que defende um dos réus. ''Eles queriam julgar quatro em uma sessão só, o que é humanamente impossível. Não há condições de defesa, e nós, os advogados é que não íamos entregar nossos clientes a um julgamento de cartas marcadas'', disse.
Além do pedido de suspeição do juiz, dois dos réus - o atual delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Francisco José Batista Costa, que era delegado titular do 13 Destrito Policial na época e o delegado adjunto do 13 DP, Maurício Bittencourt Fowler - já estavam amparados em liminares do Tribunal de Justiça (TJ) para não ir a júri hoje. A defesa de Carlos Henrique Dias, que era escrivão do DP, entrou com pedido de desmembramento. O outro réu, Daniel Luís Santiago Cortes, era investigador no distrito. No dia 3, o adiamento aconteceu porque três advogados alegaram estar doentes.
O pedido de suspeição de Guerra, segundo o promotor, não prejudicará o processo, já que ele estava substituindo o titular do Tribunal do Júri. No julgamento de Costa, porém, o tribunal terá que designar outro juiz, uma vez que, em julgamento anterior, Moraes já se declarou impossibilitado de trabalhar junto com o advogado Dalledone, defensor neste caso.


