Miami, 07 (AE-DOW JONES) - Um tribunal do júri reunido hoje (07) em Miami (Flórida) declarou a indústria de tabaco culpada de várias acusações, em processo movido por fumantes. O júri, que deliberou durante oito dias em torno de dez questões, declarou a indústria culpada de vender um produto que causa enfisema, câncer nos pulmões e outros problemas de saúde, de enganar os consumidores quanto aos perigos do tabagismo, de esconder os resultados de pesquisas, de interromper pesquisas científicas que poderiam levar à produção de cigarros mais seguros e de fazer publicidade dirigida a crianças.
As empresas acusadas argumentaram que não há prova científica de que fumar causa qualquer doença e que o público está ciente de que fumar é arriscado. O processo coletivo foi aberto em 1994
por cerca de 500 mil fumantes, ex-fumantes e parentes de fumantes mortos.
Agora que a indústria foi declarada culpada, o tribunal decidirá a indenização que as empresas terão de pagar aos nove impetrantes originais; isso liberará os outros (quase 500 mil) a exigirem suas próprias indenizações.
Os impetrantes estão exigindo uma indenização de US$ 200 bilhões. Isso é pouco menos do que os US$ 206 bilhões do acordo concluído em novembro do ano passado pela indústria e o governo dos Estados Unidos. Esse acordo impede que os Estados processem as empresas de tabaco na tentativa de recuperar dinheiro gasto pelo sistema público de saúde com o tratamento de fumantes. Mas não proíbe ações movidas por indivíduos ou grupos, como aquela que foi julgada hoje.
Os réus no julgamento da Flórida são os cinco maiores fabricantes norte-americanos e duas entidades representativas do setor: Philip Morris, RJ Reynolds, Brown & Williamson, Lorillard
Liggett Group, Council for Tobacco Research e Tobacco Institute.

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