Juri de Zóza é dos mais protegidos da história
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
Luciano Augusto<BR> Reportagem Local 
De um lado, a defesa sustenta a inocência do réu Edson dos Santos Rodrigues, 31 anos, o ''Zóza''. Do outro, a acusação garante que seria ele o responsável pelo assassinato do garoto Dener Washington Matias, 11 anos, em julho de 2006. Diante da divergência, o desfecho do julgamento que começou ontem de manhã e só deve ser concluído hoje no Tribunal do Juri do Fórum de Londrina é uma incógnita. Em meio a tamanha expectativa e por conta da extensa ficha criminal do acusado, a segurança no local foi reforçada de maneira nunca vista na história criminal da cidade.
Zóza cresceu no Jardim Nossa Senhora da Paz (Zona Oeste), que já foi um dos mais violentos de Londrina por conta do tráfico de drogas. Hoje, responde a diversas ações na Justiça. É apontado por delegados e promotores como um dos grandes traficantes da cidade e um criminoso de alta periculosidade.
Ontem, Zóza sentou no banco dos réus sob acusação de ser um dos responsáveis pelo assassinato do garoto Dener, ocorrido na manhã de 14 de julho de 2006, na rua Leste, do Jardim Leste-Oeste (Zona Oeste). O menino foi atingido por uma bala quando brincava na rua. Zóza seria o condutor da moto que teria sido usada pelo autor dos disparos. Segundo a Promotoria, a intenção da dupla seria matar Lincoln de Lima Nascimento, morador do bairro que foi ferido nas nádegas mas sobreviveu. O rapaz acabou morto a tiros em dezembro daquele mesmo ano.
O defensor de Zóza, André Salvador, sustenta a tese de ''negativa de autoria'', garante que seu cliente estaria em um hotel de Ibiporã no momento do crime e afirma ter provas do álibi. Por outro lado, as promotoras Susana Feitosa de Lacerda e Márcia Menezes dos Anjos acusam o réu pelo crime de homicídio qualificado (por motivo torpe e sem dar chance de defesa à vitima) e erro de execução, pois o alvo seria Nascimento.
Após três adiamentos, o tribunal do juri se reuniu ontem para julgar o réu, preso desde o final de 2008. Pela manhã, foi ouvido o major Édison Tomaz, diretor da Casa de Custódia de Londrina (CCL), onde Zóza esteve preso em 2006 e de onde, logo após a morte de Dener, teria exigido um cessar fogo na guerra entre gangues rivais do Jardim Nossa Senhora da Paz e Leste-Oeste. À tarde, falou uma tia de Dener, Roseli Matias Ribeiro, que havia acusado Zóza na Polícia Civil. Ontem, no entanto, disse que ''mentiu'' e que os autores seriam os dois adolescentes que assumiram o crime à época. Ela negou ter sido ameaçada. Em seguida, os jurados foram levados até o local do crime onde o perito criminal Pedro Faraco detalhou o laudo pericial que fez sobre a morte do garoto. Mais de 50 policiais militares ''fecharam'' o bairro por segurança. De volta ao Fórum, uma prima de Dener e a mãe de Lincoln Nascimento foram ouvidas.
Após uma pausa, o julgamento foi retomado por volta das 19 horas e os testemunhos - mais cinco - deveriam entrar madrugada adentro. O plenário continuava lotado com amigos e familiares de Zóza e acadêmicos de Direito. Todos foram submetidos a detector de metais. Por conta do horário, a juíza substituta da 1 Vara Criminal, Adriana Katsurayama Fernandes e Silva, poderia interromper a sessão e retomar os trabalhos hoje.


