Curitiba - O julgamento da gaúcha Valentina de Andrade, 72 anos, entra hoje no sétimo dia. Ontem, foi feita a leitura de uma carta desabafo da acusada, escrita no dia 22 de setembro quando cumpria a prisão preventiva e aguardava julgamento. Na carta, anexada pelo advogado de defesa Claúdio Dalledone Júnior, Valentina afirma que é inocente.
A gaúcha, que morou por 15 anos em Londrina, é acusada de liderar uma seita responsável pela castração e pelo assassinato de dois meninos e lesões corporais em outros três em Altamira, região sudoeste do Pará. Os crimes foram registrados entre 1989 e 1993. Todos os meninos tinham idades entre oito e 14 anos.
Ontem, foram exibidos filmes que mostravam festas e cenas de encontros promovidos pela Lineamento Universal Superior (LUS), seita que era liderada por Valentina. De acordo com o Ministério Público (MP), essa seita seria a responsável pelos rituais de magia negra com sacrifício humano. Também ontem foram lidas peças do processo, que tem 73 volumes e mais de 20 mil páginas.
Um dos pontos mais polêmicos foi o pedido da professora Maria do Socorro Patello de liberação do depoimento, ainda sem data para acontecer, já que o julgamento ainda está na fase de instrução. A professora, que foi arrolada pela defesa, alegou problemas de saúde. Dalledone se recusou a dispensar o depoimento de Maria do Socorro, alegando que ela era imprescindível para o esclarecimento de fatos. O juiz Ronaldo Valle determinou que ela retornasse no período de tomada de depoimento das testemunhas.
A promotora Rosana Cordoril alertou que a testemunha teria que continuar incomunicável, mesmo que fosse liberada. Caso contrário, o depoimento dela seria considerado nulo.
O julgamento de Valentina está sendo realizado em Belém desde o dia 19 de novembro. A previsão é a de que dure até 15 dias.

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