Júri de Paula Thomaz começa na quarta-feira
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sábado, 10 de maio de 1997
Agência Estado 
RIO - Na quarta-feira, o 1º Tribunal do Júri do Rio será palco do desfecho de um dos casos mais rumorosos do Judiciário brasileiro: o assassinato da atriz Daniella Perez. Paula Nogueira de Almeida Thomaz, de 24 anos, estará sentada no banco dos réus, acusada de participação no crime com seu ex-marido, o ator Guilherme de Pádua. Levado a júri em janeiro, Pádua foi condenado a 19 anos de prisão. Se a tese da acusação for aceita pelos jurados, a tendência é que o juiz José Geraldo Antônio, do 2º Tribunal do Júri, estipule para Paula uma punição mais branda que a do ator, pois seria levada em conta a atenuante de que a ré era menor de idade na época do crime, ocorrido em 28 de dezembro de 92.
A defesa de Paula partiu para uma estratégia considerada suicida ao adotar a tese de negativa de autoria: a ré alega que no dia do crime permaneceu das 15 horas até as 22 horas num shopping na Barra da Tijuca - o assassinato ocorreu por volta das 21h30. Nesse caso, a ela está sujeita a uma pena de 12 a 30 anos, por homicídio duplamente qualificado. Caso admitisse sua participação, Paula Thomaz poderia até ganhar a liberdade mesmo que fosse condenada no júri.
Se adotasse a tese do homicídio privilegiado ou do crime praticado sob violenta emoção - nesse caso, com a alegação de que estava grávida na época do crime e sentia ciúmes de um suposto caso do marido com a atriz -, Paula teria sua pena reduzida de um sexto a um terço. Ambas as teses afastam uma das qualificadoras do crime (motivo torpe). Nesse caso, Thomaz estaria sujeita a uma que varia de oito a dez anos. Com a atenuante de ser menor de 21 anos à época do crime, a pena seria reduzida para quatro anos, tempo que ela já passou na prisão.
No entanto, os advogado de Paula, Carlos Eduardo Machado e Augusto Thompson, vão manter a versão que sua cliente em momento algum esteve no local do crime. Os advogados vão tentar derrubar os principais argumentos da acusação, que se baseiam num reconhecimento feito pelo advogado Hugo da Silveira, testemunha-chave no processo, e numa suposta confissão feita por Paula a policiais.


