Curitiba - O júri do ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, acusado da morte de Gilmar de Souza Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20, em um acidente automobilístico em 2009, em Curitiba, foi marcado para os dias 21 e 22 de janeiro de 2016, às 9 horas. O despacho com a data foi emitido na última terça-feira pelo juiz Leonardo Bechara Stancioli, e a informação, confirmada ontem pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.
A expectativa pela marcação do julgamento vinha desde o início desta semana, quando terminou o prazo para a indicação das cinco testemunhas. No caso da defesa, Stancioli determina, na peça, que as oitivas ocorram por carta precatória, uma vez que os nomeados moram em São Paulo (SP). Carli Filho responde pelo crime de homicídio doloso eventual (quando o envolvido, mesmo sem querer efetivamente o resultado, assume o risco). Na época, um exame no hospital mostrou que o então parlamentar tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Como o procedimento foi feito enquanto ele estava desacordado, porém, acabou desconsiderado pela Justiça.
O advogado Gustavo Scandelari, um dos responsáveis pela defesa do ex-deputado, entretanto, argumenta que o julgamento não pode acontecer antes da análise dos recursos interpostos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os agravos dizem respeito a supostas irregularidades no processo. "O exame de alcoolemia feito no sangue dele (Carli) foi declarado ilícito pelo TJ, que mandou riscar os trechos descrevendo essas provas dos autos. Ocorre que o Código de Processo Penal, em seu artigo 157, determina que as provas ilícitas devem ser retiradas, e não simplesmente riscadas. A defesa está confiante de que deve haver primeiramente a decisão do STJ sobre isso", afirmou.
A acusação, representada pelo advogado Elias Mattar Assad, entende o contrário: que não há motivo para suspender o caminho natural do processo. "Esses agravos não têm efeito suspensivo. O conteúdo já foi repelido pelo Tribunal. Então, em última análise, o que eu tenho a dizer para a sociedade, em especial para as famílias do Paraná e do Brasil, é que hoje (ontem) é um dia muito especial, histórico, porque reafirma a tese do dolo eventual. Espero que, ao invés de protelar o júri, a defesa compareça e explique suas razões para os jurados, de forma a liquidar esse assunto de uma vez. Outra coisa: que ele (Scandelari) leve seu cliente no dia, para que não tenhamos uma cadeira vazia".
De acordo com Assad, a deputada federal Christiane Yared (PTN), mãe de uma das vítimas, foi arrolada como testemunha de acusação. Ela escreveu, em sua conta na rede social Facebook, que o julgamento será um divisor de águas.

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