Júri condena pai pelo assassinato de Eduarda Shigematsu
Ricardo Seidi confessou ter matado a filha e recebeu pena de 23 anos e 6 meses; avó foi absolvida
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quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Ricardo Seidi confessou ter matado a filha e recebeu pena de 23 anos e 6 meses; avó foi absolvida

O Tribunal do Júri de Maringá (Noroeste) condenou, nesta quinta-feira (17), Ricardo Seidi a 23 anos e seis meses de prisão pela morte da própria filha, Eduarda Shigematsu, ocorrida em abril de 2019, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina).
A condenação foi por homicídio qualificado por asfixia, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. A avó paterna, Terezinha de Jesus Guinaia, que respondia por ocultação de cadáver e falsidade ideológica, foi absolvida. Ricardo admitiu ter matado a filha durante o interrogatório, na noite de quarta-feira (16), abandonando a versão de que ela teria cometido suicídio.
O júri popular, que durou dois dias, foi realizado após oito adiamentos nos últimos anos. Inicialmente, foi transferido de Rolândia, onde o crime ocorreu, para Londrina. Depois, a sessão foi levada para Maringá. Lá, a ausência de um juiz para presidir os trabalhos provocou outro adiamento.
Eduarda Shigematsu, de 11 anos, morreu no dia 24 de abril de 2019, mas seu corpo só foi encontrado quatro dias depois, enterrado na garagem de um imóvel do pai. A última imagem da menina com vida foi registrada por uma câmera de segurança, que mostra Eduarda chegando em casa perto do meio-dia do dia 24. Pouco tempo depois, a mesma câmera registrou Ricardo deixando o imóvel de carro e, segundo a investigação, levando o corpo da filha no porta-malas.
Inicialmente, o pai alegou que Eduarda havia cometido suicídio e que, após encontrá-la sem vida, desesperou-se e decidiu enterrar o corpo. A confissão do homicídio ocorreu mais de sete anos e quatro meses depois da morte, mas Ricardo não deu detalhes sobre como o crime aconteceu.
O promotor de Justiça Marcelo Balzer Correia, em entrevista à RIC Record, disse que “a sociedade como um todo precisava dessa resposta” e afirmou ter pedido a absolvição da avó. “A própria Terezinha foi tratada na época como uma cúmplice, mas provas falavam totalmente ao contrário. Quem a colocou na cena do crime foi o próprio acusado, uma pessoa que não tem credibilidade nenhuma. Como que vamos condenar a senhora Terezinha pela voz de um mentiroso?”, justificou. Ele também classificou o homicídio de Eduarda como “um absurdo”.
O advogado Hugo Esteves, que representa a mãe de Eduarda e seus familiares, adiantou à FOLHA que a assistência de acusação vai recorrer da sentença para tentar aumentar a pena de Ricardo.
O advogado Mauro Valdevino, que representa Terezinha, afirmou que, após os debates no Tribunal do Júri, a acusação e o Conselho de Sentença acolheram a tese da defesa. “Sendo assim, a senhora Terezinha foi considerada inocente e está absolvida de todos os crimes imputados a ela.”
A defesa de Ricardo disse que “acolhe e reconhece a decisão do Conselho de Sentença”.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.


