Jurados têm participação ativa
Agência Estado
De Brasília
Os sete funcionários públicos que foram escolhidos como jurados para atuar na primeira sessão do júri do coronel Mário Pantoja, do major José Maria Oliveira e do capitão Raimundo Almendra Lameira, não ficaram apenas como observadores das teses de defesa e acusação. Todos eles tiveram participação direta no julgamento dos oficiais acusados pela morte dos 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, já que foram liberados pelo juiz Ronaldo Valle a fazer perguntas aos réus.
Além disso, esclareceram dúvidas que os próprios advogados e o promotor Marco Aurélio Nascimento não conseguiram. Os sete jurados foram escolhidos entre 21 pessoas. Três são funcionários da prefeitura de Belém, dois pertencem ao Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), um é do Tribunal de Contas e o outro da Companhia de Saneamento e Abastecimento do Estado do Pará. Todos possuem curso superior ou segundo grau. Este corpo de jurados faz a diferença, disse o criminalista Nilo Batista, que nunca havia feito júri com a atuação direta do corpo de sentença.
A participação dos jurados, apesar de ser permitida, nem sempre é usada. O juiz Ronaldo Valle foi o primeiro a adotar esta prática no Pará, onde já atua há 10 anos. Mas a permissão de os mesmos fazerem perguntas pode mudar algumas estratégias de defesa ou acusação. No júri dos 150 PMs envolvidos na morte dos sem-terra, alguns deles se sobressaíram, como o professor de educação física da prefeitura de Belém, Cláudio Ferreira Ozela, o auxiliar administrativo do DNER, Délcio Benedito Assunção e o auxiliar administrativo da prefeitura, Sérgio Dias de Paiva.
Um deles, por exemplo, conseguiu com que o major Oliveira entrasse em diversas contradições ao determinar o tempo que levou do local do confronto, no dia 17 de abril, até Curionópolis, onde iria chamar o delegado da polícia local. O jurado questionou cada um dos trechos percorridos pelo militar, como estava a condição da estrada e o veículo que usava. Oliveira não soube precisar o tempo, mas ficou confuso a ponto de trocar o nome do juiz pela denominação de coronel.





