Jurados podem ir a Guaratuba
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O interrogatório de Francisco Sérgio Cristofolini, ontem à tarde, em que ele negou participação na morte do menino Evandro Ramos Caetano, durou cerca de uma hora e meia. Ele reafirmou o que é sustentado por seu advogado, Haroldo César Náter, de que seu envolvimento no caso teria sido forçado para completar o número cabalístico exigido para um ritual de magia negra: sete.
De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP) estadual, Cristofolini teria ajudado no ritual como uma espécie de instrumentador, repassando para o líder da cerimônia os materiais usados no sacrifício.
Respondendo às perguntas da acusação, Cristofolini disse que conhecia Osvaldo Marcineiro porque ele alugava parte do imóvel pertencente a sua mãe, Carmem Cristofolini. Negou que tivesse participado de sessões no ''terreiro'' do pai-de-santo, mas admitiu ter levado sua mãe algumas vezes até o centro de Marcineiro, já que ela, seu pai e outros familiares eram adeptos ao espiritismo.
Sobre as declarações contidas nos autos do processo em que Cristofolini teria relatado ter participado de sessões onde teria acontecido sacrifício de animais, como galinhas, ele afirmou não lembrar de tal depoimento e alegou que, quando foi preso, sofreu pressão para falar. Cristofolini disse, ainda, que não pôde ler os depoimentos antes de os assinar.
Cristofolini assegurou que a primeira vez em que esteve na serraria da família Abagge, onde teria acontecido o ritual, foi no último sábado, quando foi ao local em companhia de seu advogado.
Náter e o advogado de Bardelli, Matheus Gabriel Rodrigues de Almeida, reapresentarão o pedido de deslocamento do Conselho de Sentença a Guaratuba assim que for concluída a leitura das peças. Caso o juiz do Tribunal do Júri, Rogério Etzel, acate o pedido, a diligência deve acontecer no domingo, dependendo do andamento da leitura. Ontem, a previsão era terminar as primeiras 200 páginas, que reúnem os documentos apresentados pela promotoria.
A ida a Guaratuba, segundo Náter, é importante para que os jurados vejam que a sala da serraria não comportaria o número de pessoas que o MP alega ter participado do ritual. A defesa de Cristofolini sustenta a negativa de autoria pela inexistência de materialidade.
O Conselho de Sentença é formado por sete jurados, todos homens. Três das mulheres apresentadas para compor o júri foram recusadas pela promotoria e uma quarta, que pediu dispensa, foi recusada pelos advogados de defesa.


