Jurados mantêm versões de suborno em acareação
Agência Estado
De Belém
Acareados ontem, os jurados Sílvio Mendonça e Fernando Brito, que integram o júri do processo de Eldorado dos Carajás, onde 19 trabalhadores sem-terra foram mortos por policiais militares, mantiveram as declarações anteriores. Mendonça negou ter tentado subornar Brito para absolver o coronel Mário Pantoja na primeira sessão do julgamento. Brito garante que a proposta foi feita.
O delegado Vicente Costa, diretor da Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe) da Polícia Civil do Pará, acredita que a quebra do sigilo telefônico e bancário dos jurados poderá revelar se houve ou não tentativa de suborno. Costa informou que pedirá hoje à Justiça a quebra do sigilo bancário e telefônico de Brito, o mesmo que fez anteontem em relação a Mendonça. O que os dois jurados falaram nos últimos seis meses, pelo telefone, ajudará bastante a esclarecer os fatos, acredita o delegado.
Durante a acareação, Mendonça foi enfático: Nunca conversei com este senhor sobre isso. Aliás, jamais mantive qualquer contato com ele. Brito reafirmou a conversa sobre suborno, mas garantiu que ela foi feita em tom de brincadeira. E, olhando para Mendonça, disse: Você falou, sim, não minta. De acordo com o delegado, foi palavra contra palavra.
O jurado Cláudio Ozela, que teria ouvido Mendonça fazer a Brito a proposta de suborno de R$ 3 mil em favor da absolvição do coronel Pantoja, iria depor ontem na Dioe, mas deverá ser ouvido em outra data, segundo informou o delegado. Após a acareação, Mendonça registrou queixa na polícia de um suposto atentado. Ele disse que, na madrugada de ontem, vários tiros danificaram a lataria de seu automóvel, estacionado próximo ao local onde mora.





