Los Angeles (AE-REUTERS) - Greg Garrison e Lisa Pierozzi têm preferência sobre as estrelas para chegar à cerimônia dos prêmios Oscar. Pode ser que o público em geral não os identifique no domingo próximo com a mesma facilidade com que reconhecerão Gwyneth Paltrow, Tom Hanks ou Steven Spielberg quando estes chegarem no Dorothy Chandler Auditorium para a glamorosa cerimônia anual. No entanto os jurados (e ninguém além deles) têm os segredos melhor guardados de Hollywood em suas cabeças e mãos: os vencedores das estatuetas que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dará aos melhores do cinema do ano anterior.
Durante 65 dos 71 anos de existência do Oscar, a firma Price Waterhouse Coopers e seus auditores têm ganho os melhores assentos da cerimônia. Este ano, Garrison se sentará à direita do cenário e Pierozzi à esquerda, com vários envelopes selados com um lacre contendo o nome do ganhador em seu interior, para entregá-los somente ao apresentador da cerimônia, geralmente uma grande estrela. "No meu primeiro ano, Susan Sarandon deveria sair do cenário, mas não conseguia se mover", recordou Garrison rindo. "Eu estava pisando em seu vestido. Ela só conseguia sorrir". Em outra ocasião, Pierce Brosnan, o atual James Bond 007 do cinema, subiu ao cenário com várias supermodelos, que sorriam para Garrison sensualmente porque sabiam que ele conhecia o nome de quem iria ganhar a estatueta dourada. "Foi quando soube que meu trabalho não era tão mau", comentou.
Mas, na verdade, entregar o Oscar não é apenas ver supermodelos e estrelas. Este é um trabalho muito sério e muito secreto. Os ganhadores do Oscar são eleitos a cada ano pela academia. Este ano votaram cerca de 5.500 membros para eleger os cinco indicados de cada categoria. Os jurados, isolados em oficinas remotas em sítios privados e liderados por Garrison e Pierozzi, apuraram os resultados de uma primeira ronda de votação para os indicados. Os votos finais (secretamente codificados para garantir sua autenticidade) foram enviados para os mesmos membros, aos quais foi permitido escolher só um ganhador por categoria. "Se houver um voto falso, saberemos", assegurou Garrison com muita naturalidade. Mas ele se nega a dar pistas de como isso pode ser feito.
A votação terminou esta semana e novamente de seis a oito membros da equipe se isolaram em uma oficina remota para contá-los durante três ou quatro dias. A estes só é permitido contar um seleto grupo de votos para que ninguém possa descobrir um dos ganhadores. "Confie em minha palavra, ninguém saberá", afirmou Garrison. Na manhã de domingo, ele e Pierozzi se encarregarão da tarefa, somando os totais em cada grupo. Logo, ele em um smoking da Hugo Boss e ela em uma túnica Escada, pegarão dois grupos de envelopes (em caso de que um se perca), dois automóveis diferentes (em caso do trânsito em Los Angeles estar muito congestionado) e dois guarda-costas diferentes (caso Spielberg não queira deixá-los passar) para chegar à cerimônia. "Há uma razão muito boa para estas medidas extremas", adicionou Garrison. "Se estes envelopes não chegarem, na realidade não haverá cerimônia".