Jurados assistem a videoteipe em julgamento de Kevorkian
PONTIAC, EUA, 23 (AE-REUTERS) - O médico aposentado Jack Kevorkian declarou nesta terça-feira (23), durante julgamento em Pontiac, Michigan, que ajudar os outros a morrer não é crime, mas sim um trabalho válido que põe fim à dor e ao sofrimento.
Conhecido como "doutor morte", Kevorkian, de 70 anos, recebeu ontem autorização de uma juíza de Michigan para fazer sua própria defesa no processo em que é acusado pela primeira vez de homicídio.
O médico, qua já admitiu ter colaborado no suicídio de 130 pacientes terminais desde 1990, está sendo julgado pela morte de Thomas Youk, de 52 anos, que sofria de um tipo de esclerose, conhecida como mal de Lou Gehring. A doença progressiva caracteriza-se por deixar as vítimas sem voz, paralíticas e impossibilitadas de ingerir alimentos.
Trechos de um vídeo em que Kevorkian aparece participando da morte de Youk foi transmitido no programa "60 Minutes" da rede de tevê norte-americana CBS, em 1998. Com base nesse vídeo, as autoridades judiciais de Michigan iniciaram um processo contra Kevorkian - o quinto que é aberto no país de 1990 - por homicídio.
Jurados assistiram nesta terça-feira ao vídeo em que Kevorkian conversa com Youk, confinado a uma cadeira de rodas e com capacidade de mover somente um braço. À pergunta do médico sobre a intervenção, o paciente responde em voz alta "sim". Youk recebe três doses de uma injeção letal.
Antes de iniciar o primeiro dia de audiência para ouvir testemunhas, a juíza Jessica Cooper perguntou a Kevorkian se ele queria permanecer na condição de seu próprio advogado de defesa. Ontem, o pedido de autodefesa do médico foi garantido após ele afirmar que poderia sustentar certos pontos melhor do que os advogados.
Kevorkian já foi absolvido em três processos por morte assistida, enquanto um quarto processo judicial terminou sem que o júri chegasse a um acordo.
Desta vez, o julgamento deve estender-se até o fim da semana. Se for considerado culpado, Kevorkian poderá ser codenado à prisão perpétua. Ele também é acusado de distribuir uma substância controlada, que pode custar até 7 anos de prisão.





