Jurado considera que Luther King foi vítima de conspiração
Memphis, EUA, 09 (AE-AP) - Um júri que analisou um recurso feito pela família de Martin Luther King determinou que o ativista dos direitos civis foi vítima de uma grande conspiração contra sua vida, e não de um assassino solitário.
A família de King processou Loyd Jowers, um empresário aposentado que disse há seis anos que pagou a outra pessoa que não James Earl Ray para matar King em Memphis em 1968. O advogado da família sustentou que estiveram envolvidos no crime o FBI, a CIA, a máfia e os militares.
A família queria que o corpo de jurados encontrasse evidências de uma conspiração e desse apoio ao pedido de uma nova investigação do assassinato. A procuradoria afirmou estar convencida de que Ray fez o disparo fatal e que não havia sido encontrada evidência de que outros estivessem envolvidos.
Os King pediram apenas uma soma simbólica de dinheiro em seu processo por morte injusta. Depois de três horas de deliberações
o júri de seis negros e seis brancos determinou que a família receba US$ 100 por danos e prejuízos.
"Estou feliz em ver que o povo se pronunciou", disse Dexter, o filho de King. "Isto é o que sempre estivemos pedindo".
Ray confessou ter disparado contra King e foi sentenciado a 99 anos de prisão. Ele passou o resto da vida dizendo-se inocente e tentando conseguir um novo julgamento. Ele morreu no ano passado de cirrose hepática.
A condenação de Ray foi ratificada oito vezes por tribunais estaduais e federais. Uma comissão parlamentar concluiu em 1978 que Ray foi o assassino mas que poderia ter recebido ajuda antes
ou depois do homicídio, de um grupo de racistas com sede em St. Louis. A comissão não encontrou nenhum indício de participação do governo.
William Pepper, advogado dos King, disse ao jurado que Jowers, de 73 anos, fazia parte de uma conspiração que envolvia a máfia e agentes federais para matar King devido à sua oposição à Guerra do Vietnã e aos seus planos de promover uma grande marcha em Washington.
Em suas alegações finais, Pepper afirmou que a ordem para matar King foi dada pelo chefe da máfia em Nova Orleans a um comerciante de verduras em Memphis, que encarregou Jowers do pagamento e de providenciar a arma. Pepper acrescentou que uma equipe de atiradores de elite do exército estava preparada para disparar contra King caso falhasse o ataque da máfia.
Pepper afirmou que o FBI, a CIA, os meios de comunicação, os serviços de inteligência do exército e do Estado, e as autoridades municipais contribuíram para o acobertamento do assassinato. Pepper também representou Ray em suas tentativas de conseguir um novo julgamento.
Embora o júri civil tenha concluído que King fora vítima de conspiração, o Departamento de Justiça não deverá produzir nenhuma ação criminal, informou hoje o vice-procurador-geral, Eric Holder.





