A instituição do conselho de sentença, ou júri popular, causa polêmica em todos os setores. Noely Manfredini, jurada em vários julgamentos, afirma que os integrantes do conselho não precisam conhecer as normas técnicas para entender o caso num julgamento. ‘‘O júri é eficiente na medida em que os advogados são eficientes. Os jurados não precisam ser técnicos em Direito para dar uma opinião justa’’, afirma.
Funcionária pública, Noely Manfredini diz que o júri desempenha papel fundamental no Judiciário. O corpo jurídico, segundo ela, fica restrito à técnica jurídica. ‘‘O júri, com sua intuição, sensibilidade e emoção, é o outro lado da balança que dá equilíbrio à Justiça’’, afirma.
Paulo Pedron, diretor nacional de Projetos Especiais da Anistia Internacional, organização nãogovernamental, acredita, por sua vez, que o juiz julga melhor que os jurados. ‘‘O júri é um sistema que pode abrir brechas para se cometerem injustiças’’, diz. Os juízes, afirma, ainda estão ‘‘culturalmente’’ mais preparados para oferecer uma sentença melhor que os jurados.
Em sua opinião, há um sério ‘‘risco’’ na formação do conselho de sentença. ‘‘É complicado porque, apesar da idoneidade, ninguém garante que determinado jurado não será influenciado pela sua própria história ou por algum outro fator’’, diz. A atuação da imprensa em casos polêmicos também pode influenciar mais facilmente o júri popular por sua ‘‘eventual falta de preparo’’, segundo Pedron. (E.E.S.)

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