Juntas elas podem mais

Seja nas quadras de futebol ou com as palavras, dois grupos de mulheres de Londrina conquistaram mais empoderamento feminino através da união de forças. Ao quebrarem paradigmas em atividades de domínio masculino, elas se fortalecem e sentem-se cada vez mais capazes de fazer escolhas e tomar decisões.
Por não se conformar com a inexistência de grupos de mulheres que se unem para praticar esportes apenas por lazer, a designer gráfica Thayane Castanho da Silva reuniu algumas amigas e criou o time de futebol Ta-lento. "Meu noivo joga futebol uma vez por semana com amigos e eu não via o mesmo acontecendo entre mulheres. Chamei quatro amigas e começamos o time", relata ela, que hoje conta com um grupo de 15 mulheres de diferentes idades para o tradicional futebol das quintas-feiras.
Silva aponta que as mulheres, em geral, se unem para praticar esportes com objetivos competitivos, ao contrário de homens, que jogam futebol para socializar, reforçar laços de amizade e se divertir. Por isso, o objetivo do Ta-lento é a confraternização. "Não precisa saber jogar para participar. É uma oportunidade para combater o sedentarismo, fazer novas amizades e até desabafar. As meninas do time acabaram ficando muito amigas. Criamos um vínculo muito forte, somos como uma família", diz.
O apoio mútuo extrapola a quadra. Quando uma das jogadoras tem algum problema pessoal, as outras não medem esforços para ajudar a superar. "O futebol melhora a autoestima de todas. Ficamos mais confiantes para enfrentar desafios", garante. A iniciativa também mostrou que a colaboração entre mulheres é mais produtiva que a competição. "O importante é caminhar juntas", reforça.
LITERATURA
Quando a escritora Manuela Pérgola decidiu realizar saraus para reunir escritoras em Londrina, não imaginava que estava plantando a semente de um coletivo que fomenta a literatura de autoria feminina na cidade. Os eventos atraíram a atenção de autoras que criaram vínculos entre si e formaram o coletivo Versa, que hoje assume a missão de pesquisar, produzir e divulgar o trabalho da mulher na literatura.
Pérgola acabou se mudando da cidade, mas as escritoras Samanta Abreu, Beatriz Bajo, Vi Karina, Flávia Verceze, Isabela Cunha e Vivian Campos ampliaram o legado. O coletivo abraçou também a designer Letícia Sanches, responsável pela programação visual de futuras publicações que pretendem lançar.
No dia 14 de março, Verceze e Karina lançam o livro "Frente,Versos", às 19 horas, no Sesc Londrina. A obra trata da intersecção entre a psicanálise, poesia, feminino e vida e marca a consolidação do coletivo como referência em literatura produzida por mulheres em Londrina.
"Procuramos não deixar a literatura isolada, queremos conversar com outras mídias e torná-la mais acessível", afirma Campos, destacando que o coletivo não é um "clube da Luluzinha", mas privilegia a produção de mulheres. "Percebemos que muitas escrevem, mas não tratam o assunto com seriedade. São tímidas e não acreditam que podem ser divulgadas. O Versa mostra que podem escrever e dividir", acredita. "Todas nós tínhamos uma relação particular com a literatura, mas nos questionávamos se éramos escritoras. Juntas percebemos que o que escrevemos tem valor e deve ser lido", afirma. (C.A.)





