Jungmann suspende a negociação em Buritis
Agência Estado
De Brasília
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, anunciou ontem a suspensão de qualquer negociação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) enquanto não for levantado o acampamento montado por agricultores em frente à Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade do presidente Fernando Henrique Cardoso, no interior do município de Buritis (MG). Enquanto essa condição não for atendida, não serão recebidos nem os cinco representantes dos agricultores que estão para chegar a Brasília, procedentes de Buritis, para negociações com o presidente interino do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Orlando Muniz, afirmou.
Os representantes dos agricultores saíram de Buritis no final da tarde. Eles tentariam resolver o impasse criado com a suspensão da reunião entre líderes dos assentados e os diretores do Incra, Maria de Oliveira e Eduardo Freire. A reunião, que se realizava à tarde no povoado de Serra Bonita, a 15 quilômetros da fazenda de Fernando Henrique, fracassou porque os agricultores rejeitaram a condição imposta pelos diretores de levantar o acampamento para que seja liberado o dinheiro prometido pelo governo para custear a safra de cinco assentamentos existentes na região.
O próprio Muniz havia telefonado para Serra Bonita e, conversando com um dirigente nacional do MST, Lucídio Ravanelli, que chegou ontem à região, acertou a ida do grupo de cinco assentados a Brasília.
O clima era tenso na área. Mesmo com a presença de 250 homens do exxército (do Batalhão da Guarda Presidencial), o líder do movimento dos assentados na região, Gilmar de Oliveira, não descartava a possibilidade de invasão da propriedade pelo grupo que está no local desde a última terça feira.
A presença do exército na área foi determinada pelo presidente em exercício, Marco Maciel. Ele determinou o deslocamento dos 250 homens do Batalhão da Guarda Presidencial para a fazenda diante das informações do provável aumento do número de manifestantes e do risco de invasão da propriedade. A informação é do ministro da Defesa, Élcio Álvares. Segundo ele, a decisão foi tomada depois de avaliação feita em reunião no Palácio do Planalto com a participação dos ministros da Justiça, José Carlos Dias, da Casa Civil, Pedro Parente, do general Alberto Cardoso, do Gabinete de Segurança Institucional, e Élcio Àlvares.





