Além da saída de áreas próximas à fazenda de familiares do presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro Raul Jungmann (Desenvolvimento Agrário) apresentou mais uma exigência para retomar as negociações com os sem-terra. Ele só aceita conversar com o MST se o interlocutor for João Pedro Stedile, sua ‘‘liderança máxima’’.
‘‘Estou cansado de conversar com esses rapazes, que depois mudam de decisão’’, reclamou o ministro. Jungmann recusa-se a negociar com Gilberto Portes, dirigente que ganhou destaque nas últimas invasões. O MST já tentou, sem sucesso, substituir Jungmann como interlocutor do governo. Os sem-terra queriam negociar com o ministro Pedro Malan (Fazenda) ou com o próprio FHC.
Na impossibilidade de Stedile participar das negociações com o governo, Jungmann quer que o substituto seja José Rainha Júnior, outra liderança conhecida do MST. Sendo um dos dois o interlocutor do governo, avalia o ministro, ‘‘as coisas não vão mais ficar nesse diz-que-me-diz’’. ‘‘Quero uma conversa olho no olho com ‘‘os chefes’ dos sem-terra.’’
As conversas entre o MST e o governo, abertas em julho, foram interrompidas no último dia 10, quando militantes do movimento invadiram prédios públicos e acamparam na frente da fazenda da família de FHC. A CNBB estava intermediando as discussões.
Jungmann descartou, também, a possibilidade de o governo atender a principal reivindicação dos sem-terra, que é a liberação de R$ 2.000 para cada uma das 110 mil famílias assentadas. Agência Folha

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