Jungmann reclama da falta de liberação de recursos para reforma agrária em reunião, afirma Belisário
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Hugo Marques, especial para a AE 
Brasília, 30 (AE) - O secretário de Justiça de São Paulo
Belisário dos Santos Júnior, disse que ouviu hoje o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, dizer que está angustiado com a falta de liberação de recursos para a reforma agrária no País, atribuição da equipe econômica. "O ministro também está cansado de ouvir os discursos oficiais sobre prestígio à reforma agrária", teria desabafado Jungmann a Belisário. "Quero ver o dinheiro sair e o ministro também quer ver o dinheiro sair, né?", completou.
Belisário vem fazendo críticas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Paulo pela não liberação de recursos para assentamentos no Estado. Ele mostrou-se surpreso ao verificar que o próprio ministro também reclama da falta de recursos. "Esta é uma angústia do ministro também", disse. Assim que saiu da audiência, que durou mais de três horas, o secretário de Justiça de São Paulo contou ter sido informado de que a falta de recursos não está atingindo somente o Estado, mas todo o País. "Não saiu dinheiro para ninguém até agora", disse Belisário. Verbas - Mesmo enfrentando o contingenciamento de recursos, uma imposição da área econômica, Jungmann prometeu a Belisário estudar a inclusão dos assentamentos do Estado na lista dos que serão contemplados com financiamentos federais. "Esses assentamentos foram incluídos nos números federais da reforma agrária mas não foram inseridos para efeito de liberação de verbas", criticou Belisário. Ao não serem reconhecidos como assentamentos federais, afirmou, estes mais de 40 assentamentos feitos em conjunto com São Paulo ainda não tiveram acesso a verbas para custeio e implantação. "Não existe assentamento estadual, municipal, são todos assentados, clientes da reforma agrária", disse o secretário.
Belisário afirmou que o ministro prometeu resolver o problema em dez dias. Na próxima semana haverá uma reunião entre representantes do Estado e da área federal do Incra. Os técnicos pretender encontrar uma solução ao impasse que teria sido causado pela direção estadual do órgão, ao não englobar logo os assentamentos para efeito de empréstimos. As reuniões devem começar na próxima quinta-feira. "Mais uma vez o ministro mostrou vontade política de resolver este problema", disse.
O ministro Raul Jungmann foi informado pela sua assessoria de imprensa sobre as declarações literais do secretário de Justiça de São Paulo, mas nomeou o presidente do Incra, Nélson Borges, que também participou da reunião, para responder. Borges disse que Belisário "entendeu a coisa errado". O presidente do órgão afirmou que Jungmann se referia à diretoria do próprio ministério, que não estaria liberando o dinheiro. "Essa frase nos joga contra a equipe econômica", comentou.
Questionado sobre as razões de um ministro reclamar do suposto "discurso oficial" de uma diretoria e ele subordinada, Nélson Borges negou até ter ouvido as frases supostamente pronunciadas por Jungmann. "Não ouvi o ministro falar isso", disse.


