Jungmann reafirma disposição de negociar com movimentos
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 05 (AE) - O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, reafirmou hoje sua disposição de negociar com os líderes de movimentos sociais, após a desocupação de prédios públicos em Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Pernambuco. "A base da reforma agrária é o diálogo", justificou. Jungmann chamou as ocupações, feitas por sem-terra e pequenos produtores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, de "despropositadas", pois as lideranças não tentaram conversar antes com o governo.
Jungamnn se disse disposto a ouvir as queixas dos movimentos sociais. "Muitas delas têm razão de ser", admitiu. "Só não posso aceitar o extremo." Desde o ano passado, uma portaria estabeleceu a interrupção das negociações sempre que haja ocupação de prédios públicos. As lideranças das ocupações serão processadas para o ressarcimento de eventuais danos ao patrimônio público durante as ocupações.
Renda - Apesar do corte orçamentário da reforma agrária, Jungmann afirmou que os movimentos de trabalhadores rurais serão surpreendidos com o aumento de recursos para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), crédito para a compra de insumos, equipamentos e investimentos . O programa conta, este ano, com R$ 2 bilhões. Jungmann não adiantou de quanto será o acréscimo.
Além disso, os assentados que receberam todos os créditos possíveis dentro do Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Pronera) também poderão ter acesso ao Pronaf. Quanto ao Procera, poderá ser usado para assentamentos não agrícolas, mas destinados à exploração do ecoturismo ou de pesque-pague, por exemplo.
Governadores - Na terça-feira Jungmann reunirá representantes dos governadores para discutir proposta de incentivo à reforma agrária como mecanismo de criação de emprego e renda. Na segunda, no Recife (PE), o ministério recebe oficialmente os primeiros 15 mil hectares obtidos após o escândalo da mandioca. A terra poderá abrigar até mil famílias.
Também na próxima semana, o presidente Fernando Henrique Cardoso lança um programa de parcerias entre empresas e assentados. Segundo Jungmann, uma delas prevê a compra de açúcar produzido nos assentamentos pela fábrica de refrigerantes da Coca-Cola.


