Jungmann: promotor que pediu extinção de sem-terra é fascista
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungman, assumiu ontem a defesa dos sem-terra e acusou o promotor Tarcísio Leite Mattos, do 1º Tribunal do Júri de Porto Velho (RO), de ser fascista e reacionário. Responsável pela acusação dos policiais militares no julgamento do massacre de Corumbiara, na segunda-feira, Mattos acabou pedindo a absolvição dos dois oficiais, defendendo a extinção dos sem-terra. Ou o Brasil acaba com os sem-terra ou eles acabam com o Brasil, disse o promotor na ocasião.
O capitão PM José Cysneiros Pachá e o tenente Mauro Ronaldo Flores eram acusados de participação no assassinato de três trabalhadores rurais em 1995, durante o confronto entre a polícia e os sem-terra em que morreram onze pessoas. Alegando falta de provas, Mattos pediu aos jurados que absolvessem os oficiais (o que acabou ocorrendo) e disse que, se fosse um policial naquela circunstância, também atiraria contra os sem-terra.
O comportamento desse promotor é uma vergonha, afirmou Jungman. Ele é indigno de ocupar o cargo. O ministro contou que enviou uma carta de congratulações à Procuradoria-Geral da República, que decidiu afastar Mattos da promotoria. A maneira democrática, justa e digna de acabar com os sem-terra é lhes dando terra, crédito e condições de vida, disse.
Segundo Jungman, a pobreza rural do Brasil e a desigualdade social são as principais razões da existência dos sem-terra. Eles não estão aí porque querem, lembrou. (A.E.)





