Jungmann pede prazo para ação de despejo no MS
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sexta-feira, 10 de outubro de 1997
Agência Estado Itaquiraí e Rio 
Dida Sampaio/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Clima tensoOntem, sem-terra do acampamento 8 de Março preparavam a terra para o plantio de feijão...O ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, pediu prazo até o final da próxima semana para resolver o problema de assentamento as 2.164 famílias que ocupam a fazenda Santo Antônio, em Itaquiraí (MS), desde 19 de setembro. O pedido foi feito por telefone, para o juiz Danilo Burin, de Naviraí, que concedeu liminar de reintegração de posse da propriedade. Anteontem os sem-terra cavaram 38 trincheiras em volta do acampamento para resistir a um possível despejo.
O juiz confirmou o telefonema e disse ter dito a Jungmann que, de sua parte, não vê problema na concessão do prazo. Fiquei otimista com a possibilidade de uma solução definitiva para este caso, contou. Segundo Burin, o ministro informou que o Incra deverá colocar à disposição do MST diversas fazendas passíveis de desapropriação na região de Itaquiraí.
No acampamento 8 de Março, na fazenda ocupada, o líder dos sem-terra, José Padilha dos Santos, o Pipoca confirmou a expectativa otimista quanto a uma solução negociada, depois que a superintendência estadual do Incra reabriu negociações com os líderes do MST em Campo Grande, na quinta-feira. O Incra colocou à disposição dos sem-terra as fazendas Floresta Branca, em Eldorado, e Nova Lagoa Grande, em Dourados, onde devem ser assentadas 400 famílias. Da fazenda Santo Antônio poderão ser assentadas imediatamente cerca de 150 famílias.
Arquivo Folha...mas mantêm abertas trincheiras para resistir ao despejo
Segunda-feira começa uma nova rodada de negociações em Campo Grande e o Incra vai oferecer outras áreas ao MST, informou Pipoca. Se a proposta for concreta e documentada por escrito, poderemos deixar a fazenda, afirmou.
Ontem o clima era de tranquilidade entre os acampados. Na avaliação do MST, com o reinício das negociações ficou afastada a possibilidade de mobilização de policiais militares para cuidar da reintegração de posse. Mesmo que as negociações não evoluam, acreditamos que a reintegração de posse não acontecerá antes de 15 ou 20 dias, disse Santos.
Neste final de semana parte dos acampados vai fazer uma campanha de arrecadação de alimentos nas cidades da região. O esquema de segurança do acampamento, disse Santos, continua em alerta e qualquer tentativa de ação por parte da polícia ou de pistoleiros será respondida à altura.
Resistência - As 64 famílias que ocupam a Fazenda do Salto, em Barra Mansa (RJ), intensificaram ontem os preparativos para resistir à ordem de desocupação. Acampadas desde janeiro na fazenda, elas aumentaram o número de barreiras nos acessos ao local e bloquearam pontos de entrada na propriedade, de 890 hectares.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra se prepara para resistir à determinação do juiz Renato Coutinho, da 1ª Vara Cível de Barra Mansa, que determinou a reintegração de posse. A fazenda deveria ter sido desocupada na quinta-feira, mas o juiz atendeu a um pedido do secretário estadual de Justiça, desembargador Jorge Loretti, para que adiasse o cumprimento da ordem até segunda-feira.
O MST ainda tem esperanças de uma solução pacífica e de que as famílias permaneçam no local. Segundo José Ribamar, um dos líderes dos sem-terra na região, para isso basta que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apresente à Justiça os títulos da dívida agrária (TDAs) referentes às terras para fazer a desapropriação. A fazenda está sendo disputada pelo arrendatário do imóvel, José Carlos Duarte, que moveu a ação de desocupação.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participou da negociação e pediu ao juiz Renato Coutinho que os cerca de 270 policiais militares, chamados para cumprir a ordem judicial, saíssem da fazenda na quinta-feira. No entanto, a expectativa é de que a situação volte a se agravar na segunda-feira. O juiz está irredutível e os sem-terra não querem sair da fazenda; pode haver derramamento de sangue, admitiu o secretário municipal de Agricultura, José Afonso Lopes, que tem visitado diariamente os acampamentos.
Lopes disse ter ficado mais tranquilo ontem, ao receber da procuradoria do Incra em Brasília a informação de que os TDAs referentes à fazenda já estão prontos e que uma cópia dos títulos será enviada para a prefeitura de Barra Mansa até segunda-feira.


