Jungmann nega definição de novos índices
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de maio de 1997
Isabel Braga e Teresa Guimarães Agência Estado, de Brasília 
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, cobrou uma discussão técnica e não política dos novos índices para medir o grau de eficiência e utilização da terra, que será a base para as desapropriações da reforma agrária. O ministro negou haver um novo índice de produtividade e afirmou ter feito apenas um conjunto de propostas para ser debatido com o Ministério da Agricultura e a sociedade.
A divulgação antecipada da portaria com os novos percentuais provocou forte reação contrária de produtores rurais e os números foram questionados por técnicos do Instituto Agronômico de Campinas e do Instituto de Agronomia de São Paulo. Jungmann rebateu as acusações de que os novos índices são absurdos e fictícios, ressaltando que os estudos feitos desde 1989 pelo Incra têm como base dados da Universidade Federal de Campinas e do IBGE.
Há uma base técnica, que está aí posta, enfatizou Jungmann, acrescentando que foram consultados também a Embrapa e o Instituto de Zootecnia de São Paulo, entre outros. Isso não é, em absoluto, o resultado da vontade de quem quer que seja, reagiu. A Embrapa está sendo consultada novamente pelo Incra.
O ministro negou-se a discutir os números. Isso não é uma queda-de-braço política: você debate, publicamente, toma a decisão e explica tecnicamente o porquê, argumentou. Ele defende um debate transparente e técnico entre o governo, a comunidade científica e os representantes do setor agrícola.
Mandado Sobre a ameaça feita pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA) de impetrar um mandado de segurança caso os novos índices não sejam submetidos ao Conselho Nacional de Política Agrícola (CPNA), Jungmann respondeu: Sou favorável e vou propor esta semana a reativação do CNPA ao ministro da Agricultura e ao presidente da República.
Jungmann acusou os críticos da proposta de estarem criando uma celeuma sobre uma coisa que ainda não está decidida. O ministro alegou que a portaria estava assinada por ele apenas por uma praxe burocrática, porque seria enviada a outro ministério. O ministro Arlindo Porto ainda não assinou, lembrou.
Ele alertou que teria a prerrogativa de decidir, sozinho, os novos índices de produtividade e uso da terra, mas optou pelo debate. Se a posição fosse fazer algo fechado, eu não tinha mandado para o Ministério da Agricultura.
De acordo com o ministro, os novos percentuais serão a base para determinar, por meio de vistorias, a produtividade e a improdutividade da terra para fins de reforma agrária. Tudo o que for interesse do latifúndio vamos nos opor política e tecnicamente, afirmou. Mas você precisa mudar os índices a favor da agricultura como um todo, favorecendo a ótica do produtor rural e da reforma agrária. Ele é favorável à vigência imediata dos índices, mas garantiu que irá remeter também este ponto à discussão técnica.


