Jungmann não aceita trégua do MST
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segunda-feira, 25 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaNão pedimosO ministro especial de Política Fundiária, Raul Jungmann, estranhou a trégua solicitada pelo movimento sem-terra. Não estamos em guerra com quem quer que seja, justificouA trégua de uma semana nas invasões de terras no Pontal do Paranapanema (SP), proposta pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), não foi aceita pelo ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann. Não pedimos, não aceitamos e não damos trégua, reagiu o ministro, dizendo ainda que o governo só vai parar quando assentar a última família de trabalhador.
O líder do MST, Gilmar Mauro, anunciou a trégua no domingo para que o governo, em uma semana, demonstrasse boa vontade no processo de desapropriação. O ministro estranhou a trégua. Não estamos em guerra com quem quer que seja, justificou. Para Jungmann, o adversário a ser enfrentado não é o MST, mas o latifúndio. Queremos a trégua que toda a sociedade deseja, que é a reforma agrária realizada, disse o ministro, logo após receber, pela primeira vez, a liderança do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), recentemente criado.
Apesar de o MLST estar afirmando que não veio para rachar os movimentos que hoje já brigam por reforma agrária, o ministro estabeleceu uma diferença entre o MST e o MLST. Eles (MLST) propõem-se a dialogar e os que querem diálogo conosco encontram a porta aberta. Jungmann advertiu que quando não há diálogo e não se respeitam as leis, o governo invoca a autoridade para que a lei seja cumprida.
Processos - O líder do MST José Rainha Junior responde a 56 inquéritos policiais e oito processos criminais nas comarcas do Pontal do Paranapanema. As ações, que podem resultar em condenações à prisão, envolvem outras lideranças importantes do movimento, como Márcio Barreto e Valter Gomes. As pendências na Justiça preocupam os sem-terra e atrapalham a articulação das bases, reconhece Rainha. A gente perde muito tempo com isso e não consegue trabalhar, reclamou.
A advogada Luciane Moessa de Souza chegou ao Pontal há dois meses com a missão de desembaraçar a teia jurídica que ameaça paralisar o MST na região de maior atuação do movimento no País. Especialista em assuntos fundiários, ela veio de Curitiba e percorreu os fóruns e delegacias, levantando os processos que envolvem os sem-terra. Não tínhamos, até então, um levantamento completo da situação, disse Luciane.
Para a advogada, o acompanhamento das ações pode evitar que Rainha e outros líderes sejam surpreendidos pela decretação de prisão por deixar, por exemplo, de comparecer a uma audiência. Eles já tiveram a preventiva decretada em alguns processos e só tomaram conhecimento quando a polícia cumpria os mandados. Queremos evitar que essas coisas aconteçam de surpresa, disse Luciane.


