Roma, 10 (AE) - O ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, encerra amanhã (11), em Roma, na sede do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), a negociação para um financiamento de 25 milhões de dólares. Essa verba será aplicada em projetos de gestão de recursos hídricos na região do semi árido do Nordeste brasileiro. O acordo, porém, será efetivado no Brasil em março, após sua passagem pelo Senado e, segundo Jungmann, deverá ser operativo ainda este ano.
As condições para o pagamento são consideradas excelentes pois o empréstimo começará a ser devolvido apenas 3 anos após ter sido retirado com juros de cerca 6%. Além da participação do Fida, organismo das Nações Unidas financiado pelos países membros - entre eles o próprio Brasil, o projeto vai receber investimentos do Tesouro e do banco do Nordeste, totalizando 92 milhões de dólares distribuídos ao longo dos vários anos de sua duração.
A verba vai financiar atividades educativas e produtivas nos 7 Estados do Nordeste onde há maior concentração de semi árido (Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia). A fase inicial prevê a educação básica, praticamente alfabetização, das cerca de 15 mil familias envolvidas no projeto. Em seguida, entra-se na fase de qualificação técnica para os casos específicos.
Serão aplicadas experiências como a gestão de bacias secas através de barragens subterrâneas que permitem armazenar a água da chuva no sub solo e aproveitá-la sobretudo para a criação de gado.
"Temos experiências de algumas décadas que demonstram a viabilidade desse processo", disse à AE Aécio Gomes, assessor do ministro, que cita como exemplo uma fazenda, em Afogados da Ingazeira, com 400 hectares, onde em plena seca estão sendo criadas 120 cabeças de gado, em ótimas pastagens.
Além do encontro no Fida, o ministro Jungmann, em sua terceira visita a Roma, tem compromissos no Vaticano, onde hoje esteve na audiência pública do papa. Após a audiência, entregou ao Santo Padre um relatório do presidente Fernando Henrique Cardoso com o balanço da reforma agrária em seus primeiros 4 anos de governo. Sexta-feira, Jungmann se encontrará com o presidente do Pontíficio Conselho de Justiça e Paz.
"A igreja é um grande parceiro e aliado, o grande portador da bandeira da reforma agrária no Brasil", disse o ministro à AE. "O governo deve desenvolver um diálogo estratégico de alto nível com a igreja de Roma e do Brasil".

mockup