Jungmann e Gregori reagem com indignação; Dias não comenta decisão do júri
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Sandra Sato e Chico Araújo, especial para a AE 
Brasília, 19 (AE) - A absolvição dos três principais acusados do massacre em Eldorado dos Carajás - entre eles o comandante da operação, o coronel Mário Pantoja - causou indignação em autoridades do governo federal. "O Brasil não pode carregar na consciência os 19 mortos de Carajás sem a punição exemplar de quem cometeu isso", reagiu o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann que classificou a decisão de "lamentável".
"Decisão judicial que não faz justiça não é para ser lamentada, é para ser anulada por um novo julgamento", afirmou o secretário de Estado dos Direitos Humanos, José Gregori. "É o que eu espero que a Promotoria do Pará faça", acrescentou, garantindo que os promotores poderão contar com todo o apoio da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos. Gregori revelou que o resultado o surpreendeu. Ele reconhece, porém, que o julgamento foi isento de qualquer irregularidade e atendidos todos os preceitos da lei, mas critica os jurados. "Temos a lamentar que o corpo de jurados não tenha compreendido a profundidade da tragédia de Carajás", observou. "É difícil compreender que os chefes da expedição policial, que resultou em 19 mortes e ao que tudo indica seis execuções, não mereçam um determinado tipo de punição". Para o secretário, a Justiça ainda não foi feita. Mas lembrou que o Estado de direito propicia um novo júri que finalmente faça a justiça que a consciência dos brasileiros pede. Culpados - "Sem a punição dos culpados pelo massacre dos sem-terra, todos nós brasileiros seremos culpados", diz o ministro Jungmann, que também confia numa futura revisão da decisão de inocentar os oficiais envolvidos na morte dos sem-terra em Eldorado: o coronel Mário Pantoja, o major José Maria de Oliveira e o capitão Raimundo Almendra Lameira.
Segundo o ministro, o governo sempre esteve ao lado das famílias dos mortos. Ainda hoje, Jungmann enviou uma nota de solidariedade aos dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Pará comentando o julgamento. Na nota, ele se diz "perplexo" com a decisão e diz acreditar que até o julgamento final a justiça será feita. No texto o ministro ainda garante apoio às famílias dos sem-terra mortos e pede serenidade aos líderes do movimento.
Jungmann comunicou a decisão ao presidente Fernando Henrique Cardoso e está acertando com o secretário José Gregori a estratégia do governo na condução do caso que chamou a atenção da opinião pública internacional. Interferência - Ao contrário dos dois, o ministro da Justiça, José Carlos Dias, recusou-se a fazer qualquer tipo de avaliação sobre o resultado do julgamento. "Jamais um ministro da Justiça poderia dizer se foi justo ou injusto (o julgamento)", afirma. Segundo ele, seria uma "interferência absurda" do representante do Executivo sobre o Judiciário. "Todos me conhecem e sabem o que eu sinto, mas eu não posso me manifestar", insitiu.
O ministro Dias limitou-se a comentar que o direito de defesa foi exercido, os jurados fizeram perguntas aos réus, o presidente do tribunal agiu de maneira exemplar e o tribunal se instalou de forma organizada.


