Jungmann diz que Incra impetrou recurso para proteger bens
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de abril de 2001
Do Recife 
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, informou ontem, no Recife, que as superintendências regionais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em todo o Brasil impetraram na Justiça ação de interdito proibitório, antecipando-se a eventuais invasões promovidas pelo Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Sem-terra fazem hoje protestos contra a política agrária do governo federal, no Dia Internacional da Luta no Campo. O interdito é uma medida judicial para garantir a posse e proteção de bens.
De acordo com o ministro, a marcha e as movimentações dos sem-terra, em vários Estados, estão sendo acompanhadas pela Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, que fornecem informações a um gabinete de crise - integrado por representantes dos ministérios da Justiça, Transportes e Desenvolvimento Agrário e Palácio do Planalto. O gabinete está articulado com as áreas de segurança pública estaduais e centraliza as informações, que são repassadas para a Presidência da República.
O ministro alertou os donos de transportadoras e prefeituras que estejam patrocinando o deslocamento de sem-terra que, em caso de desordem, eles terão que responder como co-autores, sendo chamados pela Polícia Federal a explicar sua participação.
Jungmann pediu bom senso ao movimento e, apesar de todo o esquema especial montado para acompanhar os protestos, ele não acredita que as sedes do Incra sejam ocupadas. Nossa ferramenta é o diálogo, e, assim como em Pernambuco, as superintendências do Incra de outros Estados estão conversando com as lideranças dos movimentos para evitar invasões, afirmou.
Homenagem A Câmara dos Deputados fez ontem uma sessão em homenagem aos sem-terra mortos em Eldorado dos Carajás (PA). Havia poucos deputados no plenário, mas vários representantes das famílias dos mortos e de organizações de defesa de direitos humanos participaram da sessão.
A iniciativa foi do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. É um massacre que continua impune até hoje, disse o deputado. Até quando vamos assistir a essas violações dos direitos humanos, como em Eldorado, ou no massacre dos 111 presos no Carandiru? (Das agências)


