Brasília, 18 (AE) - O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, determinou hoje, durante encontro com líderes do Movimento dos Sem-Terra (MST), o aumento no valor dos auxílios moradia e alimentação para as famílias assentadas.
Assim, serão retomados os valores praticados no ano passado. No caso da alimentação, isso signicará subir de R$ 700,00 por família/ano para R$ 1.400,00, e, na verba para construção de casas, de R$ 1.800,00 para R$ 2.500,00.
De acordo com assessores de Jungmann, a elevação dos tetos consumirá R$ 70 milhões do ministério. "A idéia é fazer um remanejamento interno", disse o ministro. "Se precisarmos de complementação, vamos procurar a equipe econômica."
Mas o aumento do auxílio moradia valerá só até dezembro. A partir do ano que vem, os valores serão regionalizados, uma vez que o preço da construção de casas varia nos Estados.
Jungmann e os dirigentes do MST acertaram ainda a elevação do teto de financiamento para custeio e investimento aos assentados
de R$ 7.500 para 9.500 por família. O MST defendia um teto de R$ 17.500. A decisão final depende do Conselho Monetário Nacional.
O novo teto, no entanto, não será acompanhado de aumento da linha de crédito, que é de R$ 460 milhões. Até a semana que vem, o ministro concluirá um estudo avaliando o impacto da medida.
"Conseguimos restabelecer coisas que já tínhamos e perdemos"
comemorou o coordenador nacional do MST Gilmar Mauro. Os sem-terra queriam ainda R$ 4 mil de auxílio moradia, em vez dos R$ 2,5 mil obtidos. "Numa época de crise, isso é um avanço", afirmou o coordenador. "Mas queremos ver tudo efetivado."
Satisfeitos com os resultados do encontro, o ministro e os líderes do MST negaram que os avanços tenham relação com a Marcha dos 100 mil, protesto contra o governo previsto para o dia 26. "A marcha tem uma pauta política, que não trata da reforma agrária", disse Mauro, fazendo coro com o ministro. "Não há qualquer reivindicação na marcha", concluiu Jungmann.

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