O governo vai manter os gastos com cestas básicas e merenda escolar, disse ontem o ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, desmentindo informação de cortes na distribuição de cestas básicas. ‘‘O presidente não concorda com esses cortes e eles não vão efetivamente ocorrer’’, afirmou Jungmann, após uma visita ao presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Jayme Chemello.
Sem citar nomes, Jungmann disse que o ‘‘burocrata’’ responsável pela divulgação da informação sobre cortes é ‘‘insensível’’ e deveria ser responsabilizado penalmente. Segundo ele, o presidente Fernando Henrique nada sabia sobre medidas tomadas em relação às cestas básicas e à merenda.
As informações sobre os cortes irritaram profundamente o governo. Na terça-feira, o presidente Fernando Henrique convocou o secretário-executivo do Conselho da Comunidade Solidária, Milton Seligman, a quem encarregou de desmentir os fatos. A própria Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) havia confirmado os cortes de 549 mil cestas para vítimas da seca. A Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), pouco depois, anunciou que isso não ocorreria.
D. Jayme disse ter obtido do próprio presidente, anteontem, a garantia de que o governo não pensa em fazer mudanças na distribuição das cestas básicas e da merenda escolar. No encontro com Fernando Henrique, o presidente da CNBB ouviu também a promessa de que o governo lutará para manter o preço baixo da cesta.
O presidente da CNBB concordou com o ministro Jungmann sobre a necessidade de cobrar a responsabilidade pela divulgação de informações que podem assustar a população. ‘‘Não podemos deixar que qualquer um diga alguma insensatez porque aí o povo fica perdido’’, argumentou. No encontro com Fernando Henrique, um dos pedidos da CNBB foi justamente o da manutenção da cesta básica. ‘‘Em cidades mais pobres, de maneira alguma essas cestas podem ser diminuídas.’
Raul Jungmann esteve na CNBB para convidar a entidade a participar de uma reunião em que será discutida a forma de apoio do Ministério de Política Fundiária à Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema é o desemprego.
‘‘O programa de reforma agrária é um gerador de emprego e queremos discutir como fazer mais, com projetos conjuntos, mutirão ou criação de frentes’’, disse o ministro.

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