O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, reagiu ontem irritado às críticas que lhe foram feitas pelas lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que o qualificaram de ‘‘incompetente e desleal’’. Ele disse que nenhuma gestão anterior à sua avançou tanto na reforma agrária, com a adoção de medidas como a cobrança efetiva do Imposto Territorial Rural (ITR) e o rito sumário nas desapropriações de terra.
‘‘O MST está tendo uma postura muito próxima da UDR, porque quem é contra isso é a UDR’’. Jungmann fez essas declarações ao final da cerimônia de entrega de medalhas da Ordem do Mérito Militar, à qual compareceu o presidente Fernando Henrique Cardoso.
‘‘Agora, vamos poder ver com clareza quem transige e quem não transige, quem quer fazer de forma negociada e quem não quer fazer de forma negociada’’, desafiou o ministro. Na sexta-feira, na audiência com Fernando Henrique, as lideranças do MST ouviram a proposta de se criar uma comissão para acelerar os assentamentos, ficaram de dar uma resposta após consultar as bases do Movimento e saíram prometendo uma nova série de manifestações.
‘‘A grande preocupação do governo é que tivéssemos uma forma de convívio depois dessa reunião’’, explicou Jungmann. ‘‘O presidente estendeu as mãos e todo o governo se dispôs a colaborar’’. A proposta, segundo o ministro, é criar uma comissão com participação do representantes da sociedade civil. ‘‘Seria uma comissão ampla para, de forma negociada, tocar a reforma agrária’’, disse Jungmann. ‘‘Se você vem a Brasília e pede R$ 500 mil e volta a invadir; se daqui seis meses volta pedindo a mesma coisa e continua invadindo e se a postura é sempre essa, isso não significa negociar’’, afirmou. Segundo o ministro, o governo quer rever a forma de convivência com o MST, de forma a dar um salto na reforma agrária.
Jungmann negou que haja Medidas Provisórias (MP) prontas para avançar em pontos da reforma agrária. ‘‘O que o presidente sinalizou foi a urgência e a relevância com que quer tratar do assunto’’, afirmou.
Depois de cerca de dois meses na estrada e percorridos cerca de mil quilômetros a pé, os trabalhadores rurais sem-terra que participaram da Marcha pela Reforma Agrária, Emprego e Justiça, que chegou a Brasília na última quinta-feira, têm passado os dias na capital federal com poucas atividades. Eles estão acampados na Esplanada dos Ministérios. Ontem, por volta das 9h, alguns ainda dormiam.
Segundo a coordenação do MST, 1.300 trabalhadores vão ficar em Brasília até 1º de maio, Dia do Trabalho. Ontem, alguns começaram a deixar a cidade. A partir de hoje, os sem-terra terão novas atividades. A coordenação do movimento programou passeios pela cidade, palestras e doação de sangue.

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