Jungmann critica saque em Pernambuco
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Hugo Marques, especial para a AE 
Brasília, 24 (AE) - O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, criticou hoje o saque que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizou na Zona da Mata pernambucana. Jungmann afirmou que a politização do MST está "arrebentanto" a imagem do movimento e de toda a reforma agrária no Estado.
O ministro disse que não há motivos para qualquer tipo de violência, no momento em que o governo de Pernambuco está lançando programa para atender a todas as famílias necessitadas. O diretor do Fundo de Terras (Funtep) de Pernambuco, Antônio Lira, anunciou um programa de atendimento a 40 mil trabalhadores
a partir do próximo mês, que irão receber R$ 80 por mês para trabalhar metade do dia e fazer cursos de especialização nas horas restantes.
Segundo Jungmann, o MST está destruindo toda a imagem que ainda tinha junto à população de Pernambuco, ao liderar movimentos políticos no Estado. O ministro afirmou que o governo dispõe de pesquisas mostrando que mais de 80% da sociedade de Pernambuco condenou as recentes invasões de fazendas pelo MST. "Isto arrebenta com a imagem do movimento", repetiu. Programa - Antônio Lira disse que nos próximos dias o governo do Estado irá cadastrar 40 mil trabalhadores que ficam sem emprego entre abril e setembro, período de entressafra da cana no Estado. Estes trabalhadores irão ser treinados para realizar tarefas como eletrificação rural, limpeza urbana e outras. Só receberão o dinheiro se na outra metade do horário comercial participarem de cursos de alfabetização, iniciação a informática e outros, que o governo está definindo.
Com estes programas obrigatórios de treinamento, o governo de Pernambuco espera reverter uma realidade social no Estado, que é a dependência do trabalho braçal na colheita da cana, que não oferece emprego ao longo de todo o ano, para a mão-de-obra disponível.


