Arquivo FolhaFalta agilidadeRaul Jungmann diz que a União ‘‘está sucateada‘‘ e não consegue velocidade suficiente para agirO ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) disse ontem no Rio que o Estado substituiu o latifúndio como principal inimigo da reforma agrária no Brasil e defendeu uma ‘‘reforma da reforma agrária’’, com a descentralização das políticas fundiárias. Jungmann afirmou que o Estado (União) está sucateado e não consegue velocidade suficiente para agir. Cobrou a participação da sociedade civil, dos estados e municípios.
‘‘No passado, o grande adversário era o latifúndio. Hoje, você consegue ter o acesso à terra, a grande dificuldade é prover os investimentos necessários, sobretudo a partir de uma reforma altamente centralizada’’, afirmou. ‘‘Hoje, o inimigo é o Estado não-reformado, daí a importância da reforma do Estado.’
Segundo dados do Ministério da Política Fundiária, cerca de 2% dos proprietários rurais detêm mais de 50% das terras cultiváveis brasileiras. O governo FHC planeja assentar cem mil famílias em 1998. ‘‘Terra eu tenho hoje em estoque, quatro ou cinco milhões de hectares. O problema não é terra’’, disse o ministro. O ano de 1999, segundo ele, será o ano da ‘‘reforma da reforma agrária’’.
Com a descentralização, o governo quer manter a decisão sobre as desapropriações, mas repassar a estados e municípios a responsabilidade sobre a infra-estrutura dos assentamentos. O ministro foi a um seminário sobre reforma agrária promovido pelo Instituto Brasileiro de Análises Socioeconômicas (Ibase). Jungmann disse que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está virando um partido político.
‘‘Ele (o MST) deveria ir ao Tribunal Superior Eleitoral e requerer para se transformar em partido político; é o que eu digo, a título de provocação. Quando o movimento social começa a cuidar de todas as causas, ele se transforma num clone. Isso é papel de partido, não de movimento social’’, afirmou.
Jungmann criticou o apoio do MST a saques feitos por flagelados da seca a supermercados. Questionado sobre punição aos flagelados que saquearem, disse que, ‘‘se existe uma lei, deve ser cumprida’’. Ao comentar o assassinato de uma testemunha da morte de dois sem-terra em Parauapebas (PA), o ministro disse que o governo criou um programa de proteção à testemunha e que a violência no campo tem diminuído. ‘‘Aqui e ali acontece um espasmo de violência, mas a tendência é que ela vá caindo, e no sul do Pará ela vai cair’’, disse.

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